Amigo leitor, meu fOcO hoje vai para uma nova moda que está surgindo: o condomínio para idosos. Como sempre, mais um dos paraísos financeiros para alguns empresários... lógico!
Absurdamente, algumas propostas oferecem numa área particular um pequeno terreno para você construir uma casa (dentro, é claro, de padrões preestabelecidos, o que inclui normas específicas de acessibilidade e adaptabilidade). Ao longo da morada, o ''proprietário'' pagará um condomínio mensal que prevê em seu custo - que não promete ser barato - plantões de diferentes profissionais da saúde como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e outros. O acordo firmado e principal do contrato é o seguinte: quando esse idoso falecer, a casa ficará para o condomínio e não para seus herdeiros reais e será alugada ou comercializada para uma nova família. Ou seja, esse é preço que se paga pela assistência vitalícia.
Ora ora... indignado(a)? Eu também estou... imagine! Alguns contratos também aceitam um imóvel do idoso como pagamento ou parte de pagamento da nova aquisicão.
É isso aí... além do preço que já pagamos pela ciência conseguir eliminar boa parte dos nossos predadores naturais, o que nos garante uma longevidade muito superior à que tínhamos a dois séculos atrás, agora temos gente empenhada em abocanhar uma das ''fatias'' do bolo patrimonial que construímos ao longo de toda a nossa vida. São especialistas de olho em idosos com uma condição sócio-econômica confortável, mas fragilizados com a ausência da família e, no geral, apresentando um estado acentuado de abandono e solidão.
Podem arrumar nomes bonitos ou novos modelos; mas, na realidade, a nova moda - um condomínio para idosos - não passa de um asilo resignificado; um ''depósito'' de pessoas idosas. Psicólogos, sociólogos, antropólogos, médicos ou qualquer outro profissional que pesquise e atue com as múltiplas faces do envelhecimento, que me perdoem, mas não consigo e nunca consegui enxergar nos olhos de pessoas que ''moram'' nessas instituições asilares, uma notável alegria de viver. E olha que já visitei muitas! Se existe alguma que consegue, de fato, promover um estado real de felicidade, que me mostrem...
Sei que existem serviços muito bem estruturados; algumas ideias maravilhosas e outras muito bem intencionadas; mas não posso aceitar uma pessoa que deu sua própria vida pela construção de sua família, terminar seus dias sem a solidariedade de seus descendentes. Lugar do idoso é na família... é com a família; e o apoio dos familiares é um mérito, sempre! Mesmo sob condições cognitivas que não o permitam mais perceber o mundo que o rodeia, como alguém num caso avançado de Alzheimer, por exemplo. Você não acha que essa pessoa merece o cuidado e o carinho dos seus familiares até os seus últimos momentos?
Abandoná-los, na minha opinião, significa transferir uma responsabilidade que é dos filhos, sobrinhos, netos ou de quem quer que seja, para terceiros que se aproveitam dessa situação para constituir serviços de cuidadores de luxo e lucrar...
Não poderia deixar de registrar ainda a dicotomia que encontrei nas ações de algumas construtoras espalhadas no país que se propõem a vender produtos adaptados para idosos; no geral, enquanto massificam seus processos capitalistas oferecendo as outras faixas etárias ''barracos de luxo'' empilhados, cheios de ilusão pra angariar a ascensão financeira das classes B e C emergente, com imóveis que se você quebrar uma perna e ficar numa cadeira de rodas por algum tempo, você não conseguirá passar nas portas do seu ''apertamento'', agora trabalham com essas etiquetas de acessibilidade e adaptabilidade, oferencendo ambientes que consideram apenas rampas de acesso às áreas comuns, portas mais largas e barras de proteção nos banheiros. E o mais triste é quererem cobrar um valor exorbitante por essas mínimas adaptações de custo real irrisório e que já deveriam estar presentes em todos os projetos consolidados.
Enfim, fiquemos ligados. Afinal, quando a cabeça pensa, o corpo não padece.
Até a próxima.

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