Maturidade em fOcO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Marcelo Caires 
Olá amigo(a) leitor(a); tenho recebido muitos pedidos pra falar mais de idoso, velhice, melhor idade, sobre como viver mais e melhor, entre outros assuntos que entrelaçam a área de atuação de um gerontólogo: os aspectos biopsicossociais na velhice. Apesar de achar muito interessante e bem fundamentado o ponto de vista de Rubem Alves em sua obra ''Desfiz 75 anos'', que tem um capítulo chamado ''A pior idade'', ainda faço parte dos que concordam e acreditam que a 3 idade é e está sendo sim, para muitos, um dos melhores momentos da vida.
Afinal, estar acima dos 60 anos é aproveitar-se de todos os benefícios disponíveis hoje para essa faixa etária; e pode ter certeza, as boas novas não vão parar. Veja que o Brasil já apresenta quase 12% da sua população de idosos, o que significa, até para os governantes, uma parcela que não se pode esquecer, especialmente, se o desejo é impulsionar-se na vida pública. Constate! Basta ver que quase todos os candidatos estão incluindo em seus discursos alguns segundos sobre envelhecimento ou melhora da qualidade de vida na velhice.
Mas, sobre esse aspecto, convém registrar que pouco fazem ainda... escuto mais promessas ou o eterno discurso de que ''não temos dinheiro para isso ou aquilo...'' e assim vão se passando os anos... vão se trocando os administradores e muito pouco se consolida.
Meu fOcO hoje concentra-se em ressignificar um pouco mais o envelhecimento e alguns padrões de pensamentos que levam os idosos a ''cumprir'' o modelo preestabelecido de conduta e rigidez que a sociedade espera de pessoas acima dos 60 anos.
Afinal, para alguns, envelhecer não está diretamente relacionado ao estado caquético esperado pelo estigma. Pessoas envelhecem porque se fecham a novas idéias e assumem posturas radicais contra o novo que muito as assusta. Envelhecem porque desistem de lutar.
Envelhecemos também quando assumimos uma identidade coletiva e pensamos demasiadamente nos outros e nos esquecemos de nós; da nossa própria identidade; da nossa cultura e todos os valores que amadurecemos durante nossas experiências com ''os mundos'' que vemos nascer e morrer na passagem do tempo. Afinal, imagine quantos mundos uma pessoa na faixa de 80 anos de idade já viu nascer e morrer, abocanhado por um novo padrão de ser e estar?
Esse sim é, pra mim, o fim dos tempos... o final dos mundos; e nesse sentido, podemos olhar para o tempo que passa como um Mestre absoluto; quase que como um Jedi da trilogia Star Wars; aquele que tem o conhecimento absoluto para nos guiar e nos propor os melhores caminhos pra não cairmos nos mesmos erros.
Por outro lado, viver é olhar pra frente; é construir o futuro. Compreender é olharmos o que passou. Na juventude aprendemos tudo numa velocidade alucinante, mas com pouco aprofundamento; a impressão é de estar com uma chama ardente sempre acesa. Com o avançar da idade, compreende-se mais e muito; a chama se concentra numa luz que nos permite um aprofundamento perfeito, sereno e que nos garante caminhar de uma forma mais acertiva.
Existem culturas que simbolicamente comparam o homem com o vinho, mencionando que a idade estraga os ruins, mas aprimora os bons, transformando-os nos melhores. Nesse sentido, envelhecer não é preocupante; ser visto como um velho sim que é e isso não está ligado à aparência física, mas, sim, às nossas atitudes. Envelhecer e envolver-se de sabedoria, é quase um não envelhecer.
Assim, talvez seja interessante não se preocupar com a idade, mas se preocupar com a vida! É importante não deixar que a tristeza do passado estrague o que está por vir, mas, sim, embebedar-se do presente que, como o próprio nome diz, é sempre uma dádiva divina.
Afinal a vida não é curta; somos nós que às vezes permanecemos mortos por muito tempo e assim se faz necessário transformar a passagem do tempo numa conquista e não numa perda.
Reflita!


