O passar dos anos, a coragem e o prazer...
Olá amigo(a) leitor(a)... depois de um sumiço necessário porque eu estava envolvido com o 30º Festival de Música de Londrina (que foi um sucesso na área da terceira idade, com mais de 100 participantes ao dia), estou de volta e com a corda toda.
Tenho uma amiga (LHS) que, como eu, reflete muito sobre a chegada da velhice. Ou seja, o passar dos tempos até a entrada da conhecida e maquiavélica etiqueta social dos 60 anos. Ela escreveu um texto muito legal e me enviou para que eu publicasse, ou não. Mas, quando li, na hora vi que eu tinha obrigação de publicar... na verdade, adorei a construção da reflexão que ela fez e decidi por dividir com vocês esse texto. Afinal, seria muito egoísmo de minha parte não dividi-lo com tantos fiéis leitores e leitoras que acompanham minhas colunas e sempre me escrevem com tanto carinho e apreciação ao meu trabalho. Então, ''saboreie''! É um pequeno artigo que merece mais do que uma leitura e, em diferentes momentos, para que vocês tirem total proveito das reflexões nele apontadas.
''A sociedade ocidental caracteriza-se por valores rígidos, que orientam o comportamento das gerações. Esses valores baseiam-se, especialmente, em poder e lucro. Cada faixa etária é estimulada a consumir produtos e serviços considerados os mais adequados para garantir sua inclusão e projeção social. O adulto, neste contexto, perde a noção do prazer, já que ele dedica a maior parte do seu tempo para que a rede familiar usufrua dessa inclusão. O que, de certa forma, dá a sensação ilusória de poder e controle do outro.
Sob esta perspectiva, a velhice é assustadora, pois no auge da vida adulta, o ser humano já está esgotado. São décadas e décadas de trabalho árduo para manter o status quo. A velhice, então, passa a significar a morte, e pode ser mesmo. É toda a vida voltada para fora de si mesmo, obedecendo padrões de comportamento engessados, representando papéis e personagens criados pela sociedade. E a sensação de morte é real, mas o que deve morrer é só este paradigma, este comportamento.
Enfim, o passar dos anos é só uma questão de números, porque é possível estar velho com 30 anos, ou jovem, estudando, fazendo mestrado, como muitos hoje, aos 70. A diferença está em mudar a forma de pensar, desenvolvendo o autoconhecimento, que pode permitir um novo olhar para a mesma situação. Fundamental é acreditar que é possível, como o caso de Roberto Marinho. Ele conquistou de fato sua primeira estação de TV, a Globo do Rio de Janeiro, aos 60 anos e, aos 70, casou-se com seu grande amor (Lily de Carvalho, que havia ficado viúva), com quem ficou até o final de sua vida.
Outro exemplo é o pintor Salvador Dali; ao ser questionado por que não escolher outra mulher como musa, já que sua amada Gala estava com certa idade e não tinha mais os atributos da juventude, respondeu com uma lição de vida, dizendo que ela sempre seria sua musa inspiradora, porque era a única mulher capaz de transformar sua loucura em genialidade.
Pesquisa feita com longevos, que passaram dos 90 anos, revelou que, se pudessem escolher uma idade para voltar no tempo, todos escolheriam a faixa em torno dos 60. Isto em razão de, justamente nesta fase da vida, terem vivenciado algum acontecimento muito bom e marcante. Fica fácil perceber, portanto, que o prazer está disponível para todas as idades e em qualquer fase da vida. Fundamental é despertar a coragem para fazer a escolha certa, ocupando-se até, quem sabe, com um novo passo de tango, uma nova música - tirada há pouco do violão ou ainda, envolvendo-se com um novo projeto ou empreendimento. São escolhas que, com o passar dos anos, podem trazer uma vida com mais qualidade, plenitude e prazer!''
Nada como o fOcO de alguém em constante amadurecimento e resignificando os sentidos do envelhecer, não é mesmo?! Obrigado pela reflexão, amiga querida.
E você, amigo(a) leitor(a), o que acha de também contribuir?
Uma ótima semana!

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