Maturidade em fOcO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Marcelo Caires 
Não é novidade pra ninguém que o Brasil é um dos países com um grande número de imigrantes japoneses. A cidade de São Paulo, por exemplo, tem um bairro inteiro com grande concentração deles, o da Liberdade. Londrina, e o Paraná, concentram também muito dessa população e aqui podemos atribuir a grande identificação dessas pessoas com a ''agricultura artesanal'' - produção de hortifrutigrangeiros, flores e outras que requerem uma postura sistêmica desde o cultivo até a colheita.
Meu fOcO hoje concentra-se nos hábitos físicos e culturais entre os idosos brasileiros e os japoneses. Basta observarmos: no geral, nossos idosos apresentam uma média de expectativa de vida de 72 anos, quadro de obesidade, demência cognitiva acentuada, dificuldades com locomoção e comunicação e, por consequência, perda da autonomia de vida. Já o idoso japonês eleva essa faixa para os 85 anos, não apresenta obesidade, consome muito menos medicamentos na velhice, dificilmente é sedentário e conserva um estado físico e cognitivo muito superior. Onde está o segredo dessa longevidade e autonomia?
Desde que os imigrantes japoneses não tenham sido ''contaminados'' por nossos hábitos alimentares (o que inclui o consumo absurdo de gorduras, açúcares e o leite de vaca), de sedentarismo (porque aqui os idosos preferem arrumar desculpas para não realizar atividades físicas do que ''gastar'' a inteligência para constituir estratégias que os levariam a realizá-las) ou ainda pelo ritmo de vida estressante que nos ''impõe'', de uma certa forma, uma notável falta de qualidade de vida, temos muito a aprender com eles. No geral, idosos japoneses são pessoas ativas (praticam danças orientais) e que mantém na sua alimentação elementos importantes para a qualidade física e mental do organismo.
Vou citar um exemplo: o uso do missô (pasta de soja envelhecida e fermentada) na alimentação. Muitos centros científicos, preocupados em estudar essas diferenças e compreender melhor os segredos da longevidade oriental, revelam que o missô agrega à alimentação propriedades fundamentais para a manutenção cognitiva humana. Japoneses que tomam diariamente o missoshiro - aquela sopinha preparada com 1 litro de água quente, 2 colheres de sobremesa de missô, vários pedacinhos de 1cm de tofu (queijo de soja), algas marinhas, cebolinha picada e condimentos a gosto - apresentam uma velocidade maior no raciocínio, na memorização, na atenção e na fluência verbal.
Vale observar que a soja, um alimento de baixa caloria, vem sendo utilizada há mais de 2 mil anos em países da Ásia Oriental como China, Japão, Coréia e Indonésia como fonte principal de proteína para o consumo humano. Contém de 34 a 36% de proteína de alta qualidade e todos os oito aminoácidos essenciais ao organismo. É rica em óleos poliinsaturados, lecitina, ácido linoléico, vitaminas B1, B2, B3, B6, E, cálcio, ferro, potássio, fósforo, ácido fólico, ácido pantotênico, ômega 3, magnésio e zinco. É utilizada no Oriente para prevenir diversas enfermidades cardiovasculares, endurecimento de artérias, anemia, artrite, acidificação sanguínea, diabetes, opsteoporose, excesso de colesterol, desnutrição, deficiências vitamínicas, etc.
Que tal então experimentar o consumo do missoshiro por uns 10 dias antes do jantar e observar se haverá mudanças em você? Afinal, ensinamos o consumo de tantas coisas ruins para o nosso organismo, por quê não dizermos para ele que isso lhe fará bem? Com certeza, é muito mais prazeroso incorporarmos o missô na nossa alimentação do que algumas drogas que são produzidas para nos acompanhar até nossos últimos dias... reflita!
Uma ótima semana.


