Maturidade em fOcO
Uma coisa é certa: a chegada da velhice traz na ''carona'', e subjetivamente a cada ''ser'', inevitáveis mudanças. Agora... será que ao longo da vida você incorporou as novidades também ao espaço que você habita? Infelizmente e na maioria dos casos, a resposta ainda é ''não''. Sem perceber, o tempo passa e, no geral, nos esquecemos de incorporar nossas necessidades físicas, econômicas e sociais aos espaços que construímos ao longo da vida.
Por isso hoje resolvi falar de um assunto importante para todos (idosos, seus familiares ou cuidadores); um problema no geral pouco observado: as verdadeiras ameaças instaladas nas residências dos idosos.
Afinal, ao cuidarmos da casa adaptando-a aos idosos, podemos evitar quedas que podem ser fatais. Estudos demonstram que o banheiro, como exemplo, é o local que oferece o maior risco e, lamentavelmente, 20% das pessoas que fraturam o fêmur morrem até um ano após o acidente.
Preocupado com este assunto, encontrei o trabalho da arquiteta Cybele Barros, autora do livro ''Casa Segura: uma arquitetura para a maturidade'' - resultado de um projeto de pesquisa que difunde, desde novembro de 2000, um novo conceito de moradia que visa oferecer aos idosos uma ambientação mais adequada, segura e confortável; uma obra que soma no planejamento da qualidade de vida e busca preservar a autonomia e a independência na maturidade.
O livro traz na essência questões que abordam a independência, a acessibilidade, a integração, o conforto, a segurança e a mobilidade de pessoas idosas no interior de suas residências, além de noções de ergonomia (ergonomistas contribuem para o projeto e avaliação de tarefas, trabalhos, produtos, ambientes e sistemas, a fim de torná-los compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas) e orientações quanto às dimensões do espaço residencial.
O trabalho apresenta reflexões acerca do espaço físico habitado e como funcionam nossas relações com as coisas e as pessoas, alertando que esse pode incentivar, deprimir, cuidar ou colocar em risco o ser humano que o utiliza. Alerta ainda para a questão das mudanças físicas que naturalmente vamos incorporando com o envelhecimento e elenca a falta de readaptações do espaço que habitamos, que se não for mudando conosco, não serve mais às nossas necessidades quando chegamos à terceira idade.
Enfim, observando o tema, cheguei a conclusão que pequenas mudanças podem somar grandes vantagens que contribuirão para o bem estar geral dos idosos e na prevenção de possíveis ''acidentes''. Assim, vale a pena investigar e aos poucos investir; afinal, melhor prevenir do que remediar e ter que socorrer inesperadamente uma ocorrência pontual na perda da autonomia e, consequentemente, da qualidade de vida na maturidade, não é mesmo? Veja então algumas dicas da arquiteta; detalhes simples que devem ser observados:
■ CAMA - com largura variável, altura de 45 a 50cm incluindo o colchão que deve ter densidade adequada ao peso do usuário.
■ MESA DE CABECEIRA - altura cerca de 10cm acima da cama e com bordas arredondadas. Sempre que possível fixada no chão ou na parede, evitando assim que se desloque caso a pessoa precise apoiar-se nela ao se levantar.
■ BANHEIRO - Paredes em alvenaria com resistência suficiente para a instalação de barras de segurança fixadas por buchas, especialmente dentro do box, ao lado do vaso sanitário e da bancada da pia.
■ NO BOX - piso e proteção antiderrapante; largura mínima de 80cm; desnível máximo de 1,5cm em relação ao piso do resto do banheiro e tapete externo de borracha com ventosas.
■ VASO SANITÁRIO - aumentá-lo em 10cm na base como recomenda a norma NBR 9050.
Para mais detalhes, consulte a obra da autora. Vale a pena! Uma ótima semana.





