Você sabia que o envelhecimento acarreta na diminuição da sensação de sede do organismo? Pesquisas demonstram que o idoso, por conta de uma falha numa região cerebral que controla os níveis de hidratação do organismo e o consumo de água, possui uma reserva líquida menor, o que acarreta, também, numa diminuição pela busca de líquidos.
No adulto, há sensores de água em diversas partes do corpo que verificam a adequação do nível de hidratação no organismo. Quando cai, ''aciona-se automaticamente um alarme'' que nos causa a conhecida sensação de sede. Porém, não se deve esperar por esse momento para se ingerir líquidos e, em especial, água, que deve ser sempre em abundância; pouca água significa menor quantidade de sangue, oxigênio e sais minerais nas artérias e veias. Por isso, o cérebro ''pede'' água, nos causando a sensação de sede.
Em especial na 3 idade, a quantidade de água total do corpo diminui e ocorre o aumento do percentual de gorduras - isso não significa estar obeso. Além disso, com a falta d'água, os músculos tornam-se mais frágeis e atrofiados, podendo-se aumentar o risco de quedas. Sensíveis também às mudanças climáticas, os idosos têm mais dificuldade para respirar e sentem um maior ressecamento da pele. Para ajudar a diminuir a sensação de cansaço, especialistas reforçam a necessidade de hidratar o organismo, moderar com exercícios físicos e umidificar os ambientes em casa.
Para ocorrer uma desidratação grave nesta faixa etária, que não precisa estar associada a grandes perdas como diarréias, vômitos ou exposição intensa ao sol, basta o dia estar quente ou com baixa umidade no ar que o idoso - que tem o organismo mais sensível - irá perder mais água pela respiração e pelo suor. Se não houver reposição adequada, a desidratação é certa. Convém destacar que o uso de medicamentos que induzem ao aumento do volume urinário, à função renal diminuída ou a incontinência urinária aumentam o risco de desidratação. As consequências de uma desidratação são graves: confusão mental, efeitos de medicamentos alterados, cefaleia, constipação, perda da elasticidade da pede, emagrecimento, deterioração do estado cognitivo, tontura, boca e mucosas secas, alteração da pressão sanguínea, olhos fundos, alterações urinárias, dificuldades na fala, etc.

Para não esquecer da água...

Todas as pessoas, em qualquer fase da vida, devem tomar água em intervalos regulares; deve-se ingerir água mesmo sem sinais de sede, pois ao manifestarmos sede já apresentamos um quadro - mesmo que leve - de desidratação. Uma sugestão é ter sempre uma garrafinha ou um copo de água por perto. O importante é garantir que o idoso tenha acesso à água, mesmo em casos com dificuldade de locomoção - um cuidador deve estar bem orientado neste sentido.
No mínimo dois litros de água devem ser ingeridos diariamente para que sejam mantidas as funções básicas do organismo. Caso seja feito o uso de remédios com efeito laxativo ou diurético, é fundamental aumentar essa quantidade.
Por isso, ficam aqui dois alertas extraídos da fala do Dr. Arnaldo Lichtenstein - Hospital das Clínicas SP e USP); o primeiro é para você, que está na terceira idade: torne voluntário o hábito de beber líquidos; beba toda vez que houver uma oportunidade. Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite, sopas, gelatinas, sorvetes e frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina. O importante é, a cada duas horas, ingerir algum líquido. O segundo alerta é para os familiares: ofereçam constantemente líquidos aos idosos. Lembrem-lhes de que isso é vital. Ao mesmo tempo, fiquem atentos: ao perceberem que estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços ou fora do ar, atenção! É quase certo que esses sintomas sejam decorrentes de desidratação. Então, líquido neles e rápido para um serviço médico.
Já tomou água hoje?

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