Essa é a época do ano que eu menos gosto. Muitos ficam bonzinhos, mas, só nesses dias. Familiares distantes que nunca se ligam ou só se aproximam em velórios de entes queridos, aproveitam para se encontrar. Sentem-se menos culpados e aliviados praticando alguns instantes de solidariedade aos ''abandonados''. Por outro lado, estacionam-se sobre uma ilusão permissiva, por que chegou o tempo das festas, das comilanças, das bebedeiras, do consumo descontrolado e desnecessário; enfim, da hipocrisia que tudo pode.
O símbolo do Natal e do Ano Novo, numa opinião muito particular, teriam maior significância se as pessoas conseguissem renovar seus desejos, esperanças e o olhar mais humano e permanente para todos os tempos... em todos os dias. Afinal, não se pode esquecer: ainda somos o mundo das desigualdades, do consumo, do capitalismo e da mídia alienante. Não estamos preparados para promover um envelhecimento digno, autônomo, saudável, de paz e felicidade para quem construiu a sociedade que hoje nos abriga. Esquecemos dos ''direitos que devemos''.
Numa reflexão pessoal, enquanto eu lia uma obra do educador Paulo Freire, conclui: de que adianta então ''darmos esmolas'' se nossa sistêmica social produz uma monstruosa pobreza com uma visão progressista conturbada de Ser, Competir, Ter, Viver e Poder? Daí, me veio o Amor, que se plantado diariamente em tudo... com todos e todas, fortemente combateria o instinto competitivo humano e se juntaria à fraternidade, a fim de promover a superação da nossa espécie num prisma que revelasse solidariedade, equilíbrio, igualdade, respeito e ética. Acredito que essa seja uma das utopias da humanidade que, talvez um dia, transgredirá suas barreiras (maquiavelicamente persuasivas) e dará início a uma nova era: A ERA DO AMOR - puro... imparcial... incondicional; àquele de pai para filho, sabe? Lançado no Cosmos para que no futuro se colham frutos aprimorados do que se plantou.
Estou certo que muitos na Maturidade comprendem o que digo. A terceira idade é uma faixa etária de grandes transformações; de quebra de ilusões em que a realidade consolida-se e permite um caminhar firme. É onde eu queria, de fato, hoje já estar...
Enfim, fecho esse ano que o Calendário Cristão Ocidental diz terminar, inspirado nas palavras da Oração de São Francisco de Assis e convidando você a refletir, orar, cantar, viver, sentir e praticar os sentidos dessa Oração conosco.
Deixo aqui também uma explícita homenagem a todos os meus alunos e alunas na terceira idade, porquê tenho certeza de que estaremos juntos, no primeiro minuto do ano que vai nascer, numa espécie de corrente energética... num só pensamento em torno dessas palavras que buscam a PAZ e que trazem como regentes o AMOR, o PERDÃO e a UNIÃO contrapondo-se ao ÓDIO, à OFENSA e à DISCÓRDIA; a FÉ, a VERDADE e a ESPERANÇA como antídotos à DÚVIDA, ao ERRO e ao DESESPERO; proponho ainda a ALEGRIA no combate à TRISTEZA e a LUZ no combate às TREVAS. Não esquecendo que CONSOLAR, PERDOAR E AMAR deve incorporar a essência de nossas ações ao longo dos nossos dias.
Que 2009 tenha sido próspero e significativo para a construção de um 2010 amplamente renovado e amadurecido. Desejo que o GRANDE ENGENHEIRO continue a comandar, sem cansar, o UNIVERSO por ele criado e que ainda não conseguimos mensurar.
Agradeço a todos e todas pelas críticas, sugestões, carinho e elogios ao meu trabalho.

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