Não é novidade pra ninguém que o envelhecimento se inicia quando saímos do ventre materno e com a luta pela sobrevivência trata-se de um processo que caminhará até o nosso último suspiro. As causas disso são biologicamente compreendidas a partir do processo de renovação celular, além dos muitos fatores externos que, individualmente, influenciam o organismo humano. Afinal, se você ficar um ano em casa, sentado a maior parte dos seus dias em frente à TV e deixar o tempo passar, no ano seguinte estará, obviamente, um ano mais velho. Assim, envelhecer torna-se inevitável, incondicional e para todos.

Ao longo desse ano que passa, que tal tirar duas horas da sua rotina semanal para ler um bom livro, fazer um curso diferente, praticar uma nova receita, estabelecer novas amizades ou iniciar um novo projeto? Essa atitude certamente o levará a continuar na jornada evolutiva. Afinal, nossas escolhas determinam nosso desenvolvimento humano, cultural, afetivo e intelectual. Lutar pelo bem estar, pela felicidade, por uma condição digna e mínima financeira, de saúde, econômica e social, está em nossas mãos, ou não?!

Assim, é interessante discutirmos sobre as escolhas que fazemos ao longo da vida e, especialmente, na terceira idade. Avaliar as mensagens que direcionamos para a nossa auto-estima e que comportamentos assumimos ao longo dos nossos dias, contribui para a nossa árdua missão de seguir em frente.

Sabemos que a ''marca: terceira idade'' fada socialmente a um padrão pré estabelecido de conduta e rigidez que, muitas vezes, impede o idoso de desenvolver novos projetos... de continuar crescendo. Além disso, o ''modelo social de velhice'' prevê qualidades atribuídas estigmatizadoras e contrapostas às dos jovens. Observe como na mídia raramente encontramos qualidades relacionadas à atividade, produtividade, memória, beleza, vigor e força, como características presentes em atitudes ou no corpo de idosos.

Parece ainda que chegar na idade madura tem uma contagem regressiva para acontecer: 5... 4... 3... 2... 1... e bum...! Estou na maturidade. Cronologicamente, é assim que ocorre; mas isso não significa que aos 60 anos, necessariamente, o corpo se inclina para a frente e a ação gravitacional completa o ciclo de nos demenciar fisicamente; não significa que vamos apresentar um mau funcionamento das funções orgânicas e que a partir desse ponto, e com tudo ocorrendo ao mesmo tempo, teremos que conviver apenas com múltiplos problemas relacionados ao envelhecimento.

Ah... não é mais por aí, vc não acha? Afinal, estou certo de que os ''envelhecentes'' de hoje chegarão à terceira idade num novo padrão; completamente reformulados. Sem falar nos idosos que encontramos atualmente, muitos, surpreendentes. Começamos então pelo levantamento de dois conceitos fundamentais e suas diferenças, ambos comportalmente mais praticados na fase adulta/idosa: a crítica e a censura.

A crítica, se praticada de forma positiva, pode ser construtiva e com finalidades específicas de ajustar parâmetros. Pode proporcionar uma análise qualitativa ou um julgamento produtivo, revelando-se como uma importante ferramenta de ''reelaboração do novo''. Então, criticar ao falhar, mesmo que seja de você pra você mesmo, pode ser um comportamento propulsor da compreensão e da aprendizagem ou um fator que estimule o rompimento de ''modelos de ser ou estar''.

Já a censura ou a autocensura, emocionalmente negativa e muito utilizada na terceira idade - em especial quando novas propostas lhe são apresentadas, funciona como uma escolha comportamental contraproducente. Ser ansioso ou impaciente no sentido de achar que não se tem mais tempo pra realizar, não perseverar ou se dedicar o suficiente para que o processo de aprendizagem se consolide, utilizar a idade avançada como justificativa para o não fazer ou ainda acreditar efetivamente na incapacidade e permitir que ela nos afaste de novidades, são também fatores de extrema limitação. Praticar a autocensura impede o acesso a novas descobertas, ao imaginário, à criatividade associada ao lúdico, à experimentação e, portanto, a novas informações e desenvolvimento de múltiplos saberes.

Diante de tudo isso, por quê não repensar uma terceira idade com novos projetos, propostas que não envelheceram com você ou, se são sonhos guardados por toda a vida, aproveitar o tempo hoje - que não volta mais - pra concretizar? Uma boa leitura, gastronomia (novos pratos, receitas e temperos), atividade física, música, dança, artes plásticas ou cênicas no geral, são boas indicações para se quebrar a rotina, descobrir novas identidades e potencializar uma nova fase da vida, atribuindo um ''novo sabor'' pra seguirmos em frente e em ascensão. Pense nisso!

Uma ótima semana!

mockup