MATURIDADE EM FOCO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de outubro de 2009
Marcelo Caires 
Não sei se você sabe, mas em 2008 houve uma aprovação unânime (Congresso, Senado e Presidência da República) e conquistada pela ABEM (Associação Brasileira de Educação Musical que está tendo seu encontro anual essa semana aqui em nossa cidade) do projeto de lei que trata da volta da música para as escolas. A educação musical, como um componente obrigatório e constituída por novas bases de prática e ensino, passa agora a fazer parte da estrutura curricular da educação básica brasileira.
Por outro lado, a música nunca esteve tão em evidência. Como um instrumento privilegiado de socialização, pesquisas demonstram que a prática e a aprendizagem musical também contribuem ao desenvolvimento matemático, da memória, do raciocínio, dos movimentos corporais, da escuta, da comunicação e do emocional.
Num passado não muito distante, os métodos tradicionais eram trazidos dos conservatórios europeus sem considerar uma adaptação à realidade cultural brasileira. Os cursos não levavam para as salas de aula a música, que em casa, nas ruas, no carro, em festas ou igrejas, por exemplo, era utilizada em atividades encantadoras, prazerosas e de forte apelo emocional. Previam ainda uma metodologia chata, tecnicista, exaustiva, elitista e com baixa qualidade musical; um modelo de ensinar e aprender em que o aluno era um ser receptor de informações ''impostas'' por professores que valorizavam demais a transmissão de rígidos valores europeus, tornando-a inacessível e para poucos.
De forma sintética, esse foi o imperativo histórico que causou traumas na maioria dos alunos que buscavam as salas de aula pré-dispostos a desenvolver sua capacidade musical. Lamentavelmente, a maioria desistia.
Mas você sabia que a pedagogia musical evoluiu? Estudar música hoje é estar preparado para se alfabetizar numa nova linguagem - a do ritmo e do som. É estar pronto para emocionar-se com cada nota e conhecer suas identidades musicais. As atividades precisam ser funcionais, comunicativas, musicais, contextualizadas, lúdicas e prazerosas; devem envolver a emoção e o raciocínio além de despertar uma ampla sensibilização desse que é um dos instrumentos mais antigos de comunicação da humanidade.
Ao escolher a prática e aprendizagem musical na terceira idade e, porque não dizer, em qualquer outra faixa etária, estudar música influenciará algumas capacidades e habilidades: ouvir, escutar, classificar e sentir a expressão, experimentar, interpretar, compor, improvisar, brincar, dançar, sonorizar etc. Tocar um instrumento musical propõe uma atividade mental intensa e um desenvolvimento sensóriomotor de qualidade superior. Cantar, em especial, proporciona melhoras na condição respiratória; resgata a boa dicção, a ressonância, a articulação, a flexibilidade, a extensão e a projeção vocal, além, é claro, da tonicidade da musculatura facial - essencial à boa comunicação.
Quer mais? Ao medirmos os níveis de demência cognitiva nessa faixa etária encontramos a estabilização e em muitos dos casos até a reversão do estado constatado a partir dos 6 meses de atividades de prática ou aprendizagem musical. Assim sendo, Música na Maturidade não pode se resumir simplesmente à atividade coral - que na minha opinião, na maioria dos casos, subdimensiona a capacidade do idoso. Deve-se ir além! Pesquisas demonstram que idosos submetidos à utilização de instrumentos musicais (flauta-doce, piano, teclado, violão, bandinha-ritmica e outros instrumentos de percussão etc.) resgatam também qualitativamente as atividades importantes da coordenação motora fina - a dos dedos das mãos.
Enfim, que tal reconsiderar essa possibilidade na terceira idade? Afinal, ser idoso não significa que a capacidade de aprendizagem não existe mais ou ser de porcelana chinesa e fina para ficar guardado em casa e à sete chaves para não quebrar. Não é só servir pra bingos, chás da tarde beneficentes, missas ou cultos, encontros sociais e de famílias (e sempre ao redor de uma mesa), passeios aos shoppings, viagens etc. É preciso continuar ''torcendo os neurônios'' e colocar as habilidades físicas e mentais pra trabalhar... produzir... e seguir num ritmo, mesmo que numa menor velocidade, a favor do desenvolvimento... sempre!
Se essa for a sua escolha, o Sesc-Londrina oferece opções interessantes de prática e aprendizagem musical na maturidade. Considere.
Uma ótima semana!


