Maturidade em foco
Hoje, 1º de outubro, comemoramos com o calendário oficial de celebrações especiais das Nações Unidas, o Dia Internacional do Idoso. Estou muito feliz e satisfeito de estreiar aqui na FOLHA minha coluna, um espaço reservado para falar diretamente com você que está na terceira idade.
Meu objetivo é trazer a esta coluna informações específicas e direcionadas, trabalhando esclarecimentos e reflexões comuns sobre mitos e estigmas do envelhecimento, além de abrir o espaço para autoridades e profissionais interessados em participar com assuntos relevantes.
Convido também você, jovem e novo adulto que tem um idoso em casa ou na família, para me acompanhar. Estou certo de que os temas que vamos tratar aqui vão ajudá-lo a olhar com mais cuidado para um fato que não pode mais ser desprezado pela sociedade brasileira: o envelhecimento populacional.
Não sei se você sabe mas o Brasil, que hoje encontra-se entre os 10 países do mundo com população mais envelhecida, apresentando 11,1% da população ou 22 milhões de idosos, passará dentro de alguns anos à posição de 6º lugar. Estatísticas apontam que em 2020 teremos em torno de 30 milhões de idosos e em 2050 serão aproximadamente 45 milhões de pessoas na terceira idade. A esse respeito, os estatísticos (profissionais que vivem de pesquisar e calcular da forma mais aproximada possível esses dados) apontam ainda que até lá teremos um jovem para cada idoso.
Diante desses dados, imagine como nossas autoridades precisam se mobilizar, planejar e organizar políticas públicas que garantam os direitos dos atuais e futuros idosos. Afinal, como ficará a previdência, como ficarão os serviços de sa© úde pública, os de atenção social, como vamos garantir os direitos constitucionais previstos para essa faixa etária? Temos aqui uma série de indagações que precisam ser amadurecidas, você não acha? Estou convencido que um trabalho sério, no sentido de estruturar com responsabilidade tudo isso e muito mais, já tarda em começar.
Londrina parece ter se antecipado às projeções. Em janeiro de 2010, a Secretaria do Idoso fará 10 anos. Conversando com a secretária Liz Clara Ribeiro de Campos, descobrimos que ela tem a intenção de fazer de nossa cidade uma referência nacional de projetos com idosos: ''formular, executar, avaliar e aprimorar a gestão da política municipal de atendimento à pessoa idosa, desenvolvendo um conjunto integrado de ações de defesa de direitos, articulado com as demais políticas públicas, visando um processo de envelhecimento em condições de dignidade, respeito e autonomia''.
Por outro lado, atualmente observamos uma grande mobilização de serviços e produtos direcionados aos idosos, não é verdade? Mas cuidado! Nem tudo está realmente adequado. É preciso avaliar... vigiar... questionar... classificar... fiscalizar... e cobrar soluções que estejam, de fato, adaptadas para esta faixa etária. Não se deve simplesmente entrar na onda geral, só porque produtos ou serviços levam uma ''etiqueta'' bonitinha e indicativa para a terceira idade.
Serviços especializados para idosos não podem fazer parte do tão praticado ''...faz de conta que oferecemos ou adaptamos...'', não é mesmo? Portanto, analise! Em alguns momentos vivenciar uma determinada experiência para tirar suas próprias conclusões pode ser interessante. Elogios ou críticas podem contribuir para os gestores ou empresas que pretendam investir nesse mercado, oferecendo produtos e serviços eficientes, eficazes e de fato direcionados. E pode aguardar, já estão super de olho nisso!!!
Enfim, como proposta inaugural dos intermináveis diálogos, reflexões e dicas que estabeleceremos ao longo das futuras semanas, gostaria de deixar uma reflexão pra você leitor(a), que nesse momento passa por um processo de amadurecer um envelhecimento digno, saudável, autônomo e feliz, citando a fala de Lya Luft, no clássico ''Perdas & Ganhos''. No capítulo ''Velhice, por que não!?'' ela diz o seguinte: ''...tente imaginar que você está conquistando a maturidade em vez de perder a juventude; e que um dia vai ganhar a velhice em vez de perder a maturidade. Não é muito mais natural pensar assim?''. Afinal, ''se quisermos congelar o tempo e nos encerrarmos nesse casulo, estaremos liquidados antes mesmo que a juventude acabe. Seremos a nossa ficção. A realidade continuará à nossa volta, e um dia vamos descobrir que estamos fora dela.''
Uma ótima semana!
Marcelo Caires é gerontólogo, educador musical e músico.
www.marcelocaires.mus.br Contato com essa coluna: [email protected]





