''Matrix'' é uma história de múltiplas inspirações literárias e religiosas, a começar pelo Novo Testamento: no primeiro episódio, que recomenda-se rever para uma melhor assimilação da segunda parte, Neo (Keanu Reeves) morria e ressuscitava para tornar-se o salvador. Sem blasfêmia. Outra inspiração, o budismo, através da relação mestre-discípulo mantida por Neo e seu companheiro de luta, Morpheus (Laurence Fishburne). Em 2019, as máquinas reinam no universo, mas necessitam de energia bio-elétrica que movimenta os humanos. As máquinas controlam estes mesmos humanos, obrigando-os a viver num mundo virtual, The Matrix, a matriz, uma cópia do nosso. Mas um grupo de rebeldes resiste ao opressor. Entre eles Neo, dotados de poderes sobrenaturais. A missão desse novo messias é de salvar a espécie humana.
Segundo episódio, ''The Matrix Reloaded''. Neo continua a perigosa viagem iniciada quando ingeriu a pílula vermelha. Ele passa a controlar mais facilmente os poderes e tenta evitar, com a ajuda de amigos, a destruição de Zion, o último enclave humano. Mas vírus são introduzidos no sistema, programados para infectar e neutralizar Neo. Ejetado da matriz, ele está de volta ao mundo real, sem poderes e incapaz de voltar. Mas é preciso achar uma reentrada o mais rápido, já que Morpheus e Trinity (Carrie-Anne Moss), apaixonada por Neo, não conseguem mais conter a alarmante invasão dos vírus. ''To Be Concluded'', informa um letreiro quando o filme termina abruptamente, e os fãs de verdade vão querer esperar pelos nove minutos de créditos finais quando souberem que há um minuto com material compactado de ''Revolutions''.
Nenhuma dúvida sobre o surpreendente impacto artístico, econômico (U$ 460 milhões em todo o mundo) e cultural do ''Matrix'' lançado em 1999. Para saciar a voracidade da legião de jovens ''matrixmaníacos'' formada imediatamente na esteira desse cult quase instantâneo, a Warner agendou esta continuação de agora e a próxima. E tudo o que queriam está aqui, maior, muito mais caro, mais barulhento e mais sofisticado enquanto compêndio de gadgets gerados por computador. É tudo muito fascinante e absorvente, mas por mais estupenda que seja a ação coreografada ou a maior espontaneidade do elenco, nada pode ser feito quanto ao fato de que a originalidade e a surpresa do filme de abertura sejam fatores que desequilibram em termos comparativos. ''Matrix'' era também mais sutil nas referências intelectuais/filosóficas, convidando leigos em geral a um passeio, ainda que superficial, pelos domínios de Hegel, Schopenhauer e Heidegger, passando antes pela Bíblia, por Hermann Hesse e pela sensibilidade dos comics. Tudo, claro, através do crivo da web e ao ritmo desenfreado do techno-pop e de um new-look das artes marciais.(C.E.L.J.)

mockup