Uma instalação construída com 130 placas de veículos surpreende o visitante já na calçada. A obra foi montada na vitrine da Divisão de Artes Plásticas da Casa de Cultura da UEL e faz parte da série ''Pra Que'', que a artista curitibana Eliane Prolik mostra a partir de hoje em Londrina.
A inauguração ocorre logo após sua palestra sobre o pintor paranaense Miguel Bakun, marcada para às 19 horas. Eliane traz trabalhos recentes, concebidos nos dois últimos anos. Sua trajetória, de mais de duas décadas, é marcada por duas fases - a primeira, dedicada a desenhos e gravuras, e a posterior na qual passa a privilegiar a produção tridimensional.
Ela iniciou seus estudos na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Depois cursou filosofia na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Em 1985, viajou para a Itália onde estudou com Luciano Fabro, artista ligado à arte povera, na Academia de Belas Artes de Brera, em Milão. No ano seguinte, assumiu a direção do Museu Alfredo Andersen, em Curitiba.
Em 2005, lançou o livro ''Noutro Lugar'' pela editora Cosac Naify. O volume percorre a carreira da artista, descrevendo os movimentos conceituais e formais que alimentam seu processo de criação. Na pós-graduação, ela realizou pesquisa sobre a obra de Miguel Bakun (1909-1963), projeto que teve desdobramentos no ano passado com a abertura de três exposições (uma delas está em cartaz no Museu Oscar Niemeyer) e a publicação do livro ''Miguel Bakun - A Natureza do Destino'' no centenário de nascimento do artista.
A palestra em Londrina dá continuidade à homenagem. ''A intenção é tornar sua obra visível inserindo-a no panorama da arte moderna brasileira'', diz ela. Sobre sua própria produção, agora apresentada aos londrinenses, Eliane explica que investe no hibridismo de linguagens. ''Na série 'Pra Que', em que usei placas de veículos como suportes, procurei relacionar a escultura com a linguagem textual. É como se fosse uma escultura feita com palavras'', diz.
Em outra série incluída na exposição e intitulada ''Defórmica'', ela namora a pintura ao trabalhar com recortes de cores em fórmicas para sugerir formas geométricas no espaço. ''Fiz um trabalho de colorista'', afirma, acrescentando que as duas séries farão parte de um novo livro a ser publicado até o final deste ano.
Paralelamente à individual de Eliane, a Casa de Cultura abre uma mostra coletiva reunindo trabalhos dos artistas Eduardo Faria, Elke Coelho, Fernanda Cola, Mavi Veloso e Wesley Stutz - todos selecionados pelo Edital 2010.

mockup