Matemática deixa de ser um 'bicho-de-sete-cabeças'
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de março de 2007
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Raiz quadrada, contas exponenciais, notação científica, adição e subtração. Para muitos alunos torcer o nariz é a primeira reação quando se deparam com o universo da Matemática. Mas, como ciência exata, que prima pelo raciocínio lógico, cada vez mais ela vem servindo de parâmetro mundial de avaliação do nível de qualidade educacional.
No Brasil, pela terceira vez será realizada em 2007 a Olímpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), iniciativa do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) - apoiada pelos ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT) e da Educação (MEC).
Na semana passada, o ministro da Educação Fernando Haddad anunciou o resultado da olimpíada de 2006 e as regras para a próxima competição que neste ano só receberá as inscrições via internet a partir do dia 2 de abril, com término em 18 de maio. Em 2006, 14,15 milhões de alunos em todo o País participaram da competição, representando um aumento de quase 35% em relação ao ano anterior. Ao todo participaram 32.603 escolas. A primeira fase aconteceu em 29 de agosto e a segunda fase no dia 19 de novembro do ano passado.
Para a aluna londrinense Laressa Evelyn Buachak, 13 anos, o anúncio foi motivo de comemoração. Ela foi a única aluna do Paraná a conquistar medalha de prata. ''Foi uma grande surpresa, não esperava, principalmente porque em 2005 eu participei e não consegui nem menção honrosa'', comentou. Hoje Laressa estuda em Ibiporã, mas na época estudava no Colégio Estadual Nilo Peçanha, de Londrina, instituição que teve mais três alunos beneficiados com menção honrosa pelo desempenho em 2006: Gabriel Henrique Cardoso, Paula Caroline Perrud e Karoline Akemi Sato.
Aluna dedicada, Laressa contou que sempre teve estímulo do irmão mais velho e da mãe para estudar. ''Aprendi a ler com três anos e sempre gostei de matérias de cálculo. A conquista da premiação é um estímulo a mais para eu me aprofundar nos meus estudos. E a matemática é fundamental para o meu futuro, pois quero ser engenheira química'', afirmou a aluna premiada.
Outra instituição da cidade com bom desempenho na olimpíada de 2006 foi o Colégio Estadual Professor Newton Guimarães, que teve três alunos premiados: dois receberam bolsas científicas do CNPq - que consiste em curso de um ano na Universidade Estadual de Londrina (UEL) para o aprofundamento do conhecimento matemático - e uma menção honrosa.
Medalha de ouro em 2005, o aluno Allan Costa de Araújo, 16 anos, ficou feliz com a notícia da sua classificação em que teve como prêmio uma bolsa científica. ''Espero que desta vez eu possa frequentar o curso. Quando ganhei a medalha de ouro, também recebi a bolsa, mas acabei não conseguindo concluir'', disse Allan que está se preparando para o vestibular de Engenharia Química. Ele também considerou a segunda edição da olimpíada mais difícil, principalmente nas questões abertas. ''Mas, de qualquer forma, quando a gente entende a matemática ela fica gostosa'', destacou o aluno que também faz estágio no Ministério Público.
Outra aluna premiada com bolsa científica foi Gabriela Machado dos Santos, 14 anos, que na sua primeira participação na olimpíada recebeu menção honrosa. Estimulada desde criança pelos pais a fazer contas e ajudar na hora de conferir o troco. ''Acho que o fato dos meus pais gostarem também contribuiu para eu gostar'', destacou.
Bárbara Freire Sitta, 11 anos, já na sua primeira participação do evento conquistou a menção honrosa. ''Eu estava na quinta série e as provas também trouxeram conteúdos da sexta. Achei bem difícil e desde pequena a minha preferência era matemática.''
Para os professores Vanice Martins Ayres e Eugênio Yamaji a participação dos alunos na olimpíada é uma grande oportunidade para eles se auto-avaliarem com questões bem elaboradas e terem um estímulo extra para se empenharem no estudo. Na última olimpíada o desempenho do aluno poderia resultar em dois pontos na média final.
Diante da resistência que alguns alunos demonstram ao estudo da matemática, Yamaji ponderou que ''não há mistério no estudo da disciplina, o importante é se dedicar''. ''Comparo com aprender a dirigir. Se não sentar no banco do motorista, não vai aprender. É um processo natural'', disse. Para ele a concentração também é necessária e cada aluno precisa encontrar o seu método. No seu caso, sempre optou por estudar matemática ouvindo música. ''Era uma maneira de relaxar e deixar fluir esse conhecimento.''
Segundo a professora Vanice, recém-aposentada da instituição e uma grande incentivadora da participação dos alunos na olimpíada, a afetividade também contribui para o aprendizado da disciplina considerada ''difícil'' pela maioria dos alunos. ''A relação do professor com o aluno também é importante para quebrar a resistência à matemática. Temos que ser exigentes, mas sem esquecer dessa parte. A estrutura que a escola oferece, o incentivo dos pais e o hábito de estudos são igualmente fundamentais'', concluiu.
A listagem completa dos alunos premiados pode ser conferida nos sites www.obmep.org.br ou www.mct.gov.br.


