São Miguel Arcanjo – Trocar a folia do carnaval ou o estresse paulistano por um cenário natural, pontuado por nascentes de rios e cachoeiras, em meio a parcelas originais de mata atlântica onde vivem onças macacos é a proposta de um projeto turístico lançado pelo Parque do Zizo, reserva particular de patrimônio natural, localizada no município de São Miguel Arcanjo, a 185 quilômetros de São Paulo. Aberto em 1998 como resultado do investimento de uma indenização paga pelo Estado para a família do estudante Luiz Fogaça Balboni, o Zizo, morto durante a ditadura militar, o parque passa a operar este mês atividades de turismo ecológico. As instalações podem alojar até 18 pessoas.
Fauna e flora estão totalmente preservadas nos 257 hectares, ou aproximadamente 2,5 milhões de metros quadrados, que integra a faixa de 7% restantes de mata atlântica original. Essa condição faz com que 95% da área do Parque do Zizo sejam de preservação absoluta. Por isso, as novas instalações, bastante rústicas, estarão restritas a três chalés, cada um com capacidade para acomodação de grupos de até seis pessoas, administrados pela organização não-governamental Apaz – Associação do Parque do Zizo, criada para manter inviolado o reduto natural e promover a auto-sustentação do parque.
Uma equipe de monitores guiará os visitantes pelas trilhas entre árvores e cachoeiras, informando-os sobre as características do ecossistema local. Os turistas poderão experimentar as águas das nascentes dos rios Quebra-Cabeça, Ouro Fino e Fortuna. Na casa central, montada como centro de convivência, serão servidos pratos prediletos dos mateiros e refeições típicas da culinária regional. O projeto da área de manejo do Parque do Zizo engloba ainda estufas, laboratórios e espaços para cultivo de bromélias, de palmito e de outras espécies nativas.
A liberdade desfrutada por animais selvagens e pela vegetação rara em seu habitat natural combina com o ideal de vida do estudante de engenharia Luiz Fogaça Balboni, morto aos 24 anos, em 1969, pela ditadura militar. A criação do parque, trinta anos depois, em propriedade da família Balboni, foi a forma encontrada pelos pais, sete irmãos e familiares de Zizo para homenageá-lo e manter vivos sua luta e seus objetivos de preservação. ‘‘Aplicamos a indenização paga pelo Estado num projeto edificante da natureza, do município de São Miguel e da memória de Zizo’’, afirma o irmão Vital Fogaça Balboni, justificando o investimento de R$ 150 mil – a indenização paga há dois anos foi de R$ 124 mil – na criação do parque.
A reserva fica a 32 quilômetros do centro de São Miguel Arcanjo, perto do bairro da Justinada, fazendo parte do entorno do Parque Estadual Carlos Botelho. Para chegar até a base operacional é necessário espírito de aventura e equipamento apropriado. Os visitantes têm de deixar seus veículos em São Miguel Arcanjo. A Apaz providencia o traslado em jipe até o parque. A unidade oferece facilidades também para camping.

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