São Paulo, 03 (AE) - A partir de quinta-feira, o Masp mostra um de seus mais preciosos tesouros, permitindo que o público aprecie na íntegra as 73 esculturas que compõem a série de bronzes de bailarinas e cavalos realizada por Degas (1834-1917) durante quase meio século e considerada uma das mais preciosas investigações da história da arte ocidental sobre o movimento. Não se conhece ao certo a data de cada uma dessas obras, mas sabe-se que algumas delas chegaram a ser realizadas na década de 1860.
Com o passar do tempo, Degas foi intensificando sua produção escultórica, em parte por problemas de saúde - ele foi perdendo a visão e a partir de 1890 não pôde mais usar a tinta óleo. Mas também "porque ele vai se concentrando mais na temática do corpo em movimento", explica Luiz Marques, curador da exposição. Segundo ele, a discussão sobre o predomínio da pintura ou da escultura na obra de Degas é pouco relevante. "Em ambos os casos, sua obra sempre permanece como projeto, seu ideal é o clássico", explica, acrescentando que ele é acima de tudo um desenhista e que suas obras são como "elos numa cadeia em direção à perfeição inatingível".
Daí o fato de essas esculturas nunca terem sido fundidas em vida pelo artista, que estava sempre corrigindo seus trabalhos e julgava o bronze uma matéria excessivamente eterna. Elas foram confeccionadas apenas em 1917, a partir das ceras encontradas em seu ateliê (das 150 peças, apenas 73 puderam ser aproveitadas). Existem várias dessas peças espalhadas por dezenas de museus em todo o mundo, mas apenas o museu paulistano e outras duas instituições - o Musée dOrsay, em Paris, e o Metropolitan, em Nova York, possuem o conjunto completo.
Essa exposição foi escolhida pelo Masp para homenagear seu benemérito Clemente de Faria (cujo nome foi dado à galeria no subsolo que abrigará essa mostra e a exposição de Picasso) e marca a reabertura parcial do museu - que ficou fechado para reformas. Não se trata apenas de uma exposição de acervo, mas de um evento que, além de colocar em foco a importância do movimento na obra de Degas, procura contextualizar a obra do grande mestre francês em seu momento histórico, colocando suas esculturas (e outros três desenhos e pinturas) ao lado de cerca de 20 obras de contemporâneos seus, como Manet, Cézanne, Gauguin e Toulouse-Lautrec.
A seleção foi feita a partir de critérios múltiplos, como a solidariedade temática, a relação pessoal entre os artistas ou o desejo de ilustrar como era o mundo de Degas. "Elas compõem uma espécie de moldura para a exposição, mas cada uma dialoga com ela do seu jeito", resume Marques.

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