Masp abre exposição em homenagem ao centenário de Pietro Maria Bardi
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Maria Hirszman 
São Paulo, 22 (AE) - O Masp dá início quinta-feira à maratona de comemorações do centenário de Pietro Maria Bardi, com a inauguração de uma exposição reunindo quase 300 obras de sua coleção e que deixa evidente o papel vital desenvolvido pelo professor e crítico italiano para a formação de um dos mais valiosos acervos da América Latina. Também será lançado na ocasião o livro "P.M. Bardi", do pesquisador italiano Francesco Tentori. Lançada originalmente em 1992 na Itália, a obra conta a história de Bardi antes de chegar ao Brasil. Ela foi traduzida pela colaboradora de Bardi, Eugênia Gorini Esmeraldo, e editada pela Fundação Lina Bo e Pietro Maria Bardi.
A exposição "Bardi 100 Anos - Coleção Lina Bo e P. M. Bardi no Acervo do Masp" é composta por dois grandes núcleos: as doações de Bardi (para o museu e para a sua biblioteca) e suas obras preferidas dentre as milhares que ajudou a comprar para formar o acervo do museu. Entre as obras doadas por Bardi destacam-se uma série de peças arqueológicas romanas e egípcias. O professor também foi responsável pela formação da biblioteca do museu, que conta hoje com 30 mil títulos.
Apesar de Bardi ter doado diversas peças importantes ao museu, como a bela "Virgem em Majestade com o Menino e Dois Anjos", pintada pelo Maestro del Bigallo no século 13, os grandes destaques estão entre as obras que ele ajudou a adquirir. Desde os clássicos italianos - alguns deles trazidos por Lina Bo e Pietro Maria Bardi quando aqui desembarcaram em 1946 e que acabaram sendo comprados para o acervo do museu - até os Picassos e Modiglianis, tudo foi comprado de acordo com o gosto e o olho de Bardi. Aliás, a coleção do museu praticamente não se alterou desde que ele abandonou sua direção, em 1992.
A mostra do Masp não é a única homenagem a Bardi. Também fazem parte do ciclo de eventos organizado pela Fundação Lina Bo e Pietro Maria Bardi outras três exposições. No dia 6 de abril será inaugurada a mostra "Bardi e Segall", no Museu Lasar Segall; em 4 de maio será aberta "O Bardi dos Artistas", no Memorial da América Latina; e em 20 de junho é a vez da Pinacoteca lembrar o professor com a mostra "P.M. Bardi: Um Olhar sobre o Brasil".
Até o momento foram gastos R$ 800 mil para a realização desta série de eventos. Também está sendo realizado um documentário sobre Bardi (com direção de José Roberto Aguilar e Hector Babenco), a ser exibido dia 15 de março, na TV Cultura. A Volkswagen e o Banco Safra contribuíram financeiramente, mas ainda será necessário obter o apoio de mais um ou dois patrocinadores para realizar todas as atividades previstas, afirma o diretor da Fundação, Marcelo Ferraz. Algumas iniciativas, como a eventual republicação do livro "Lasar Segall", lançado em 1952 por Bardi, estão em suspenso, à espera de financiamento.
Reforma - A direção do museu aproveitou a ocasião para apresentar ao público mais uma etapa da reforma que vem implementando há três anos no prédio projetado por Lina Bo Bardi e que terá um custo total de R$ 20 milhões. O local, que vai abrigar a Pinacoteca do Masp, exibindo segmentos do acervo de forma rotativa, apresenta novas características museológicas, que vão desde a troca do piso, dos equipamentos de ar condicionado e iluminação até a utilização de novos painéis móveis que prometem causar polêmica.
Criadas pelo escritório de arquitetura do diretor do Masp, Júlio Neves, as novas divisórias compartimentam o espaço da exposição, ao contrário dos premiados painéis de vidro criados por Lina Bo Bardi para o museu. Após vários pedidos, Neves concordou em colocar um desses painéis na exposição, como uma homenagem à arquiteta e mulher de Bardi.
Ontem, durante a apresentação da exposição para a imprensa - conturbada pelo excesso de depoentes - alguns companheiros de Bardi na empreitada de formar o museu falaram sobre o espírito arrojado e desbravador do mestre. O arquiteto Jorge Wilheim, por exemplo, contou como se tornou auxiliar de Bardi com apenas 17 anos e que foi ele quem promoveu sua primeira viagem de avião e lhe apresentou o Rio. "Fomos ao Rio para receber um Tintoretto, que depois foi trazido de pé, no corredor do avião, com a irresponsabilidade daquelas pessoas que tinham o empenho de realizar as coisas", declarou. A tela Ecce Homo chegou incólume e se encontra agora entre as preferidas de Bardi, na atual exposição.


