‘‘Meninos Não Choram’’ pode dar o Oscar de melhor atriz a uma quase desconhecida
Reprodução‘‘Meninos Não Choram’’: filme conta com a impecável expressão de Hilary Swank que concorre ao Oscar de melhor atrizReprodução‘‘Música no Coração’’ tem Meryl Streep que também pode levar outro prêmio para sua coleção‘‘As Regras da Vida’’ pode atrapalhar ‘‘Beleza Americana’’ na corrida ao Oscar
Carlos Eduardo Lourenço Jorge
De Londrina
Especial para Folha2
Prêmios - inclusive o cult Globo de Ouro - convites, badalação. A vida de Hilary Swank, 25 anos, mudou em muito pouco tempo. Atriz de insossas séries de tevê e crédito discreto em apenas dois filmes inexpressivos, de repente ela entrou na órbita das celebridades. Hilary é a principal atração de ‘‘Meninos Não Choram’’ (veja a programação na página 5). A principal mas não a única.
Baseado em história verídica, ‘‘Boys Don’t Cry’’ é a história de uma sexualidade mal resolvida. Brandon Teena (Hilary) é um adolescente que vive em Lincoln, Nebraska, encrencado com a polícia por causa de aventuras exageradas e pequenos delitos. Um dia conhece Lana, por quem se apaixona. O garoto Brandon encanta a todos da família da garota, mas desperta ira e ciúme num ex-presidiário que vive nas imediações. O romance com Lana vai bem até que as pistas do sexo real de Brandon levam o rival a tomar providências, aliás violentas. A tragédia se instala.
Muito elogiada, a criação de Hilary, além da impecável expressão da atriz, contou com adereços imprescindíveis no processo de masculinização. O contorno curvilíneo do corpo foi disfarçado por uma faixa que esmagou seios e costas. Onde faltava volume, meias estratégicas. E para completar, camiseta, camisa, calça, jaqueta, cinto e botas. Tosou o cabelo e assumiu uma nova persona. O resultado, a ser conferido nos cinemas, pode dar a cobiçada estatueta a esta atriz surpreendente que já está nas cogitações de Martin Scorsese para o principal papel - agora inteiramente feminino - em ‘‘Gangs of New York’’, ao lado de Leonardo DiCaprio.
Um filme para chorar
Nas salas de Curitiba e Maringá (veja a programação de cinema na página 5), um melodrama em busca da lágrima fácil: ‘‘Música no Coração’’, que só se justifica numa agenda tão cheia de boas opções porque Meryl Streep mais uma vez se habilita para acrescentar outro Oscar à sua coleção. É mais uma história baseada em fatos reais. Num bairro pobre de Nova York, uma professora de música, Roberta Guaspari, luta contra tudo e todos para manter seus talentosos alunos carentes estudando violino. O que mais surpreende no filme não é a sua insustentável debilidade como primária estrutura dramática, mas a assinatura do mestre do horror contemporâneo, Wes Craven. Entre constrangido e conformado, o diretor tentou defender o indefensável na coletiva que se seguiu à exibição do filme no último Festival de Veneza. Saiu-se bem melhor, e bem mais entusiasmado, quando anunciou que já estava filmando ‘‘Pânico 3’’ - o filme entra em exibição no Brasil nas próximas semanas.
Pedra no caminho do Oscar
‘‘As Regras da Vida’’, em exibição nas principais cidades do Estado, pode ser a pedra no sapato de ‘‘Beleza Americana’’ e ‘‘O Informante’’, domingo na cerimônia de entrega dos Oscars. Concorrendo a sete prêmios, é um melodrama à imagem e semelhança do estereótipo do gênero hollywoodiano. O filme do sueco Lasse Hallstrom é uma história ousada até certo ponto, sobre aborto e rito de passagem da adolescência à idade adulta. Na história do garoto que deixa o orfanato para buscar seus próprios caminhos na vida, há um dicionário de boas intenções e regras, algumas evidentemente para serem quebradas em nome de uma existência digna. Michael Caine, como o médico sem nenhum drama de consciência, reúne boas chances como candidato a melhor coadjuvante.

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