Máscaras questionam a humanidade
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de abril de 1999
Elisa Marilia Carneiro 
Cinco estilos diferentes de máscaras entram em cena, no Filo, com o Grupo Moitará, do Rio de Janeiro. A apresentação acontece hoje às 22 horas, no Circo Funcart, num espetáculo que privilegia a linguagem gestual.
Máscara neutra, larvária, expressiva, acento e meia-máscara acompanham o roteiro de evolução do ator. Segundo o diretor Venício Fonseca a montagem Máscara eMcena, mostra as particularidades de vida de cada máscara. A máscara representa a essência da relação ator, corpo e voz, sintetiza.
Dividido em cenas independentes, o espetáculo é o resultado de dez anos de pesquisas. Essa é, na verdade, nossa primeira atuação no palco. Com todo esse tempo de formação, só havíamos feito intervenções em ruas e ministrado cursos de utilização de máscaras teatrais, diz o diretor.
Com 50 minutos de duração, a encenação começa em silêncio com a máscara neutra. A transformação passa pelo estado de calma, sem passado nem futuro, percorre a simplificação (máscara larvária) e caracterização (máscara expressiva) da figura humana, e chega a ter a possibilidade de voz com as máscaras acento e meia-máscara.
Os tipos populares brasileiros são personificados com personagens como o urbano Zé de Riba, o rural Hectares Passarin e o faxineiro Jesuíno Brilhante. A encenação enfoca com humor, a essência da vida presente no jogo cênico, abordando diferentes estilos e possibilidades das máscaras.
O núcleo de experimentação funciona nas dependências da UniRio, onde os atores se formam a partir da utilização de quase todos os tipos de máscaras. O diretor Venício Fonseca trabalha há 23 anos com teatro e conta que percebeu o alcance do trabalho de ator com a utilização de máscaras.
O grupo está pela primeira vez em Londrina e já esteve, com este espetáculo, há um ano, no Teatro Villa-Lobos, no Rio de Janeiro. Depois de Londrina, o grupo apresenta-se no teatro Scena Serrana, em Petrópolis.


