O Grupo Teatral Moitará, do Rio de Janeiro, está em Curitiba ministrando uma oficina de ‘‘Utilização de Máscara Teatral’’. No intervalo dos trabalhos, hoje, às 18 horas, no Auditório Brasílio Itiberê, da Secretaria de Estado da Cultura, o grupo apresenta para o público em geral, o vídeo documentário ‘‘Uma Breve História da Máscara e Método de Sartori’’.
‘‘A máscara em cena torna-se, em si, o próprio teatro. Representa em efeito uma natureza em seu estado puro, fora das convenções realistas, a vida se dilata, irradiando um fluxo de energia que contagia todo o espaço. Quando a máscara é viva em cena, o público não pensa, reage!’’, afirma o diretor do grupo Venício Fonseca.
Segundo a atriz Érika Rettl, o grupo apresenta na oficina três máscaras que são usadas como linguagem e preparação para o trabalho do ator. A ‘‘máscara neutra’’ é de fisionomia simples e simétrica, sem conflitos, que propõe ao ator ampliar todos os seus sentimentos. ‘‘É a base para as outras máscaras’’, diz Érika.
Essa primeira máscara não é um personagem, mas um estado que se apóia na calma e na percepção, fonte de vida para todas as outras máscaras. Através dela o ator entende o que é um corpo decidido, presente, vivo, dentro de um estado de representação. Buscando a neutralidade do ator, é uma máscara inteira, que cobre todo o rosto.
A segunda máscara que o grupo trabalha é a ‘‘expressiva’’, de feições mais elaboradas, com definição de caráter, que traduz os estados de ânimo do homem. Pertencem à categoria das máscaras silenciosas, onde a palavra, por sua vez, está oculta na ação física do personagem. O ator não usa a voz nesse estágio.
Por último, o grupo apresenta as ‘‘meias-máscaras’’. São as falantes. Só cobrem a parte superior do rosto. Geralmente representam ‘‘tipos-fixos’’, podendo condensar nelas vários personagens. Seu jogo propõe ao ator encontrar um corpo e uma voz que se ajustem ao propósito do personagem e da situação, levando o texto para além do cotidiano. Essa máscara orienta o ator para o trabalho.
No vídeo ‘‘Breve História da Máscara e Método de Sartori’’ é um documentário com registros sobre a importância histórica da máscara teatral. Os grupos Fora do Sério, Moitará e o Centro Maschere e Strutture Gestuali realizaram esse documentário, que mostra a máscara desde o período Paleolítico Superior (7000 aC) até os nossos dias, enfocando o teatro em várias culturas.
O documentário mostra ainda as etapas de confecção da máscara através da metodologia de Sartori. Donato Sortori é um marceneiro italiano, filho de Ameleto, responsável pelo renascimento da máscara no teatro ocidental nesse século.
O Grupo Teatral Moitará é dirigido por Venício Fonseca e tem como atrizes Érika Rettl, Flávia Reis, Marize Nogueira.

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