Milton DóriaA estilista Nilce Gradia dribla o calor com classe. Adotou um modelo leve e solto e, em seu ateliê, dá adeus aos sapatos e sandálias


Estar numa praia saboreando um chopp geladíssimo ou ter um amplo apê com ar condicionado central não é privilégio de todos. Tem gente que não viaja ou porque está literalmente ‘‘duro’’, ou porque não gosta de praia, ou simplesmente porque está no batente, ‘‘correndo atrás do prejuízo’’ como afirmam alguns. Adquirir um ar condicionado central, móvel ou de parede custa muito e não é para qualquer bolso. E aí? Fazer o que com aquele calor todo invadindo os poros, pondo uns e outros pra suar em bicas e dando aquela sensação de que o inferno é aqui?
Driblando Driblar o calor não é tarefa fácil. Aos 35 graus centígrados, nem ventilador tamanho família dá conta do recado. A gente se sente esbaforida e com vontade de arrancar a roupa e sair por aí como veio ao mundo: nu em pelo. E não é que existe gente que faz isso mesmo? Não sai à rua, mas quando chega em casa, dane-se quem quiser ver. Se traja no melhor estilo Adão e Eva. Ou seja, sem nada por cima, por baixo, pelas laterais.
Sei de gente que coloca o ventilador ligado em frente à uma bacia com gelo. Não sei se o frescor é suficiente, mas pelo menos, psicológicamente, funciona. Uma amiga jura por todos os santos que a sensação produzida pelo ‘‘aparato’’ é mais ou menos assim: como uma brisa de final de tarde. Será? De qualquer forma, para quem ainda não conhecia o truquezinho, uma dica.

Tem gente que
se ‘‘veste’’
como Adão e Eva.
Nada por cima
nem por baixo

Sucos & sucos O psicólogo londrinense Willian Peres usa e abusa dos ventiladores, de sucos naturais e de uma bata angolana - leve e solta - que ganhou de uma amiga em visita à Africa. Ele usa o kaftan quando chega em casa, e debruçado sobre sua tese, sentado em frente ao computador, toma suco o dia inteiro, geladíssimo ao ponto de trincar os dentes. Jarras e mais jarras de todas as cores e sabores tomam conta da geladeira. Alguns quilinhos acima do peso, ele une o útil ao agradável. Não engorda e consegue atenuar aquela sensação de estar perdido no deserto de Saara.


Warren NabucoO psicólogo Willian Peres trabalha em casa ou no consultório, acompanhado de jarras e jarras de sucos. De todas as frutas e sempre geladíssimos



Ar-condicionado O coiffeur Vânio Bittencourt sucumbiu ao ar-condicionado. De tanto as clientes reclamarem, juntou as economias e instalou um aparelho em seu salão. ‘‘As clientes tinham razão, com dois secadores na cabeça, não há quem aguente um salão sem ar-condicionado. Foi um excelente investimento, atraiu clientela e tem rendido algumas tinturas e cortes a mais’’, afirma. Já em seu apartamento, Vânio se dá muito bem com um circulador de ar e as janelas literalmente ‘‘escancaradas’’. Mas tem planos de logo, logo, comprar mais um aparelho de ar-condicionado para o seu quarto.
Leve e solta Acostumada a receber em seu ateliê elegantes noivas, a estilista Nilce Gradia adotou uma forma ideal para estar arrumada - sem passar calor - durante as consultas e provas de grinaldas. ‘‘Alérgica a ar-condicionado, o jeito foi apelar para os vestidos de alcinha, soltos, amplos e folgados, de tecidos leves como jérsei, por exemplo. Tenho vários e só os uso nesta ocasião e dentro de casa. Também costumo andar descalça. Me proporciona uma sensação de bem estar, de liberdade. Minhas clientes já acostumaram. De qualquer forma deixo sempre um chinelinho num canto da casa para usar quando vou atender a porta’’, conclui.


A dona-de-casa Mariza Henriques Augusto enfrenta o calor de forma radical: anda pela casa de sutiã




Banho de lua Há alguns mais radicais, que driblam o calor no estilo vapt vupt. Acordam no meio da noite e caem na piscina. E acabam com o sofrimento de vez...e no melhor estilo Ester Willians. Nadam ou simplesmente se refrescam. Se bobear, dormem ali mesmo, na cadeira, olhando para a lua. O decorador Alexandre Moreira é um desses calorentos. ‘‘Não tomo sol normalmente e nem gosto de piscina. Mas um mergulhar de madrugada é altamente relaxante, hidratante e tranquilizante’’, ressalta.
Caliente A dona-de-casa Mariza Henriques Augusto, viúva, com 5 filhos, não se intimida com o calor. Literamente arranca a roupa quando chega em casa. E encara isso com a maior tranquilidade, a mesma com que desfila pelos aposentos de sua residência. ‘‘Meus filhos acham que eu sou muito caliente. E faço juz. Fico de sutiã e com um paninho leve amarrado na cintura. Sou extremamente calorenta e vivo transpirando’’. E completa. ‘‘Não estou nem aí, não tenho vergonha dos meus filhos e quando vivo meu marido também não ligava. Essa vontade de arrancar a roupa deve estar ligada à minha descendência indígena. Acho o nu uma coisa natural e a vergonha está mesmo é na cabeça de cada um. Calor é que eu não vou passar’’, conclui.
Como ainda não inventaram nenhuma alternativa para mandar o calor embora de vez, o jeito é encontrar formas de driblar as agruras do verão. E cada um encontra a sua. No inverno todo mundo volta a ficar igual, não é mesmo?

mockup