Martírio milionário
Joana dArc é a cara de seu diretor, Luc Besson: muito barulho e muita pretensão
ReproduçãoMilla Jojovich no papel-título: dramaticamente inexpressivaNão há como negar que o francês a esta altura franco-americano Luc Besson merece um rótulo: é o mais ianque dos realizadores europeus, naquilo de comprometedor que a afirmação possa conter. Sem estilo definido mas sempre estiloso, Besson vem se especializando na mega-queima de grandes orçamentos, em parte franceses mas majoritariamente americanos: seu delírio anterior, O Quinto Elemento custou perto de 100 milhões de dólares, e não rendeu o que os sócios de Hollywood esperavam. É provável que esta vocação piromaníaca seja sintomaticamente responsável pelos U$ 65 milhões aplicados neste Joanna dArc, mais uma versão da história da santa-guerreira católica martirizada na fogueira no século 15.
A trajetória mais conhecida da Joanna dArc, a maior heroína francesa, começa em 1.429. Ela é ainda adolescente num vilarejo nos confins da França quando anuncia aos quatro ventos que derrotaria o maior e mais poderoso exército do mundo, libertando seu país do jugo da Inglaterra. Aos 17 anos, a católica Joanna cumpre o que prometera: liderando batalhões franceses, esmaga os ingleses na batalha de Orleans. Mais tarde é perseguida pelo próprios compatriotas, que a vendem aos ingleses. O inimigo a declara herege e bruxa. É julgada e condenada porque admite ter ouvido vozes que a conduziram à vitória. A pena é ser queimada viva.
Um dos problemas levantados pela crítica francesa mais confiável, vale dizer, não contaminada pelas trombetas de Besson, é a interpretação de Milla Jojovich no papel-título. Dublê de modelo, cantora-compositora pop e atriz, a iugoslava tinha passado maus momentos em sua estréia em O Quinto Elemento. Bonita sem exageros mas dramaticamente inexpressiva por inteiro, ela também foi em parte responsável pelos furos no cronograma das filmagens de Joanna dArc. E se em frente às câmeras as coisas já vinham sem jeito, o casamento com Besson também foi por água abaixo. Notícias de bastidores, obviamente contrabandeadas à revelia da produção, dão conta de que a refrega foi tão séria que até o poster de divulgação do filme ganhou a imagem da atriz... de costas.
Vale checar porque Besson está amargando seu maior fracasso nas bilheterias, apesar de tantos recursos e do apoio logistíco de uma invejável rede de distribuição mundial. Talvez fique mais visível também porque a outra bruxa, a de Blair, já rompeu a marca dos 200 milhões de dólares, a um custo quase simbólico de cerca de U$ 40mil. (C.E.L.J.)





