Martinho da Vila faz show marcante
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quarta-feira, 19 de julho de 2000
Cleverson Garrett De Montreux (Suíça) Especial para a Folha2 
Quando Martinho da Vila apareceu no palco do Auditório Strawinski, no último sábado, foi um delírio. Centenas de brasileiros que moram na Suíça, juntamente com outros compatriotas de países vizinhos e simpatizantes europeus, caíram no samba. Martinho, realmente, é um cantor carismático que sabe como levar o público. Vindo de apresentações em Porto (Portugal), Milão (Itália) e Lugano (Suíça), para a sua segunda apresentação em Montreux, Martinho preparou um show especial. Acompanhado da grande dama do samba, Dona Ivone Lara, ele começou a desfilar seus sucessos para o deleite do público. Pouco mais de meia hora de show, e Martinho deixa o palco para a sua convidada, que, com muita graça e simplicidade, mostrou que talento não lhe falta e que o brasil está muito bem representado neste festival. Martinho volta, o público vibra e, ao depois de quase uma hora, encerra a apresentação. Claro, voltou para o bis e cantou Mulheres, a mais aplaudida.
Depois da troca dos equipamentos e montagem do palco, os Paralamas do Sucesso entram em cena. Diretamente de uma temporada em andamento no brasil, Herbert Vianna e cia. entram com roupas vermelhas, o que emprestou um ar meio brigada contra incêndio. Com uma quase big band, todos sentados e com um formato sério demais, eles não reeditaram o sucesso de outros anos. Mas para um público sedento de Brasil, qualquer coisa servia. Herbert Vianna bem que se esforçou, mas a sua voz não ajudou muito. Para piorar o violão, definitivamente, não é o seu instrumento.
E eis que era chegada a hora dos africanos, nesta mistura criada por Mazolla(produtor brasileiro, colabarador do festival para assuntos tupiniquins). O jovem saxofonista nigeriano Femi Anikulapo Kuti, rei do Afro-Beat, colocou todo mundo pra dançar. A fusão do jazz e do funk, trabalhada por Femi, juntamente com ritmos africanos, é bastante dançante. Uma mistura tão antiga quanto o nosso país, mas que funciona. Acompanhado por uma banda competente e por um trio de cantoras com roupas típicas e coreografia bem-ensaiada, a apresentação agradou, mas não chegou a ofuscar Martinho da Vila, o de rei da noite.


