Quando Martinho da Vila apareceu no palco do Auditório Strawinski, no último sábado, foi um delírio. Centenas de brasileiros que moram na Suíça, juntamente com outros compatriotas de países vizinhos e simpatizantes europeus, caíram no samba. Martinho, realmente, é um cantor carismático que sabe como levar o público. Vindo de apresentações em Porto (Portugal), Milão (Itália) e Lugano (Suíça), para a sua segunda apresentação em Montreux, Martinho preparou um show especial. Acompanhado da grande dama do samba, Dona Ivone Lara, ele começou a desfilar seus sucessos para o deleite do público. Pouco mais de meia hora de show, e Martinho deixa o palco para a sua convidada, que, com muita graça e simplicidade, mostrou que talento não lhe falta e que o brasil está muito bem representado neste festival. Martinho volta, o público vibra e, ao depois de quase uma hora, encerra a apresentação. Claro, voltou para o bis e cantou ‘‘Mulheres’’, a mais aplaudida.
Depois da troca dos equipamentos e montagem do palco, os Paralamas do Sucesso entram em cena. Diretamente de uma temporada em andamento no brasil, Herbert Vianna e cia. entram com roupas vermelhas, o que emprestou um ar meio ‘‘brigada contra incêndio’’. Com uma quase big band, todos sentados e com um formato sério demais, eles não reeditaram o sucesso de outros anos. Mas para um público sedento de Brasil, qualquer coisa servia. Herbert Vianna bem que se esforçou, mas a sua voz não ajudou muito. Para piorar o violão, definitivamente, não é o seu instrumento.
E eis que era chegada a hora dos africanos, nesta mistura criada por Mazolla(produtor brasileiro, colabarador do festival para assuntos tupiniquins). O jovem saxofonista nigeriano Femi Anikulapo Kuti, rei do Afro-Beat, colocou todo mundo pra dançar. A fusão do jazz e do funk, trabalhada por Femi, juntamente com ritmos africanos, é bastante dançante. Uma mistura tão antiga quanto o nosso país, mas que funciona. Acompanhado por uma banda competente e por um trio de cantoras com roupas típicas e coreografia bem-ensaiada, a apresentação agradou, mas não chegou a ofuscar Martinho da Vila, o de rei da noite.

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