MOSCOU - As russas elegantes que, na primeira metade deste século desfilavam pelas avenidades de Moscou e São Petersburgo com casacos de marta zibelina e gorros de raposa azul, não imaginavam que suas sucessoras viriam a desdenhar das luxuosas peles siberianas. Mas isso aconteceu e a nova mulher russa está apaixonada pelas peles de visom dinamarquesas e sobretudos estrangeiros.
Para o rigoroso inverno moscovita, as peles, de preferência as mais claras, estão mais do que nunca na moda: visom, zibelina, raposa prateada, lontra... Os varejistas vendem, a cada temporada de inverno, cerca de 60 casacos de visom negro, branco, cinza ou salmão.
Dessa forma, a Rússia atrai cada vez mais os profissionais envolvidos com peles, já que o mercado europeu anda saturado e acossado pelos ecologistas e sua teoria do ‘‘politicamente incorreto’’.
Todos esses estrangeiros depositam suas esperanças de venda na queda de qualidade das peles siberianas. De fato, desde a derrubada da URSS, a produção de peles russa está em crise, revelou Víctor Chipournoi, vice-presidente da Soyouzpouchnina, monopólio estatal para a exportação de peles existente desde 1931.
Produção Moscou se viu obrigada a ceder seu lugar de primeiro produtor mundial de visom à Dinamarca: em 1995, os produtores dinamarqueses obtiveram 9,5 milhões de peles de visom, contra 4,8 milhões dos russos (13 milhões anuais no período soviético).
O sistema outrora florescente, composto por 170 fazendas coletivas e 250 criadores menores, agora está deprimido. A falta de dinheiro faz com que, em muitos lugares, os animais estejam sendo mal alimentados e fiquem menores, magros e com pêlo menos lustroso.
As exportações caíram de 76 milhões de dólares em 1994 para 37,5 milhões em 1995, e as importações multiplicaram-se por dois, passando de 4,9 milhões a 10,8 milhões, segundo cifras do Soyouzpouchnina.
Como, ao mesmo tempo, a mulher russa tornou-se mais exigente no plano da qualidade, os fabricantes de casacos de peles passaram a comprar a matéria-prima no estrangeiro.
‘‘Oitenta por cento das peles vêm de fora do país’’, confirma um diretor de vendas da famosa marca Otrada, que luta contra a invasão do mercado por parte dos modelos italianos, franceses, gregos ou alemães e pela promoção de novos designers nacionais.
Uma tarefa bem difícil, uma vez que os modelos estrangeiros custam mais baratos do que os produzidos na Rússia, apesar das taxas de 20 por cento sobre a importação do visom e 15 por cento sobre as peles longas.
Para lutar contra a competição, as empresas de peles russas renovam o corte, procuram designers nacionais, como a jovem Irina Krutikova, que acaba de apresentar uma coleção muito sofisticada. Definitivamente, a nova moda russa rompeu com o estilo ‘‘utilitário’’ decretado pela época estaliniana.

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