Junte os maiores sucessos de uma carreira de 27 anos com parcerias de nomes conhecidos da MPB e está dado o primeiro passo para vendas. Essa é a fórmula do disco ‘‘Celebração’’, de Alcione. A Marrom, como é conhecida, resolveu soltar a voz em 20 faixas que marcaram a carreira. ‘‘Fiz o disco para vender mesmo’’, assume Alcione. Apesar de ser uma reciclagem, Alcione não descuidou dos arranjos, produção e organização do álbum. No estúdio, houve momentos em que 71 pessoas estavam agrupadas para gravar o disco.
De todas as faixas, ‘‘Sufoco’’ é a que ganhou uma leitura mais diferente, que chega até mesmo a surpreender a cantora. ‘‘Ficou mais sofisticada. Virou um alívio’’, espanta-se. Não foi a única. Alcione está mais solta e madura na reinterpretação das músicas, abusando de agudos e graves e brincando com a voz. Adota um estilo blues e quase jazzístico para faixas como Mesa de Bar, que conta com a participação de Ed Motta. ‘‘Sempre me criticaram dizendo que eu era muito jazzística. Não dou mais importância para isso’’, enfatiza. A maturidade não rendeu apenas a confiança no próprio estilo, como também o aprendizado de uma divisão melhor comprovada na antológica ‘‘Rio Antigo’’, de Nonato Buzar e Chico Anysio.
Ao todo, o disco tem oito participações, cada uma escolhida a dedo para ‘‘Celebração’’. A maranhense Rita Ribeiro aparece em ‘‘Cajueiro Velho’’, uma faixa gravada em homenagem ao pai de Alcione. Como Rita era conhecida da família, o convite foi inevitável. Outra que já estava previamente escalada era Sandra de Sá, na faixa ‘‘Verde e Rosa’’. A cantora foi convidada simplesmente pela amizade, por ser mangueirense, flamenguista e sambista.
O disco serviu também para pagar velhas dívidas, como a com Maria Bethânia. A cantora baiana foi a primeira a convidar Alcione para gravar com ela. Em retribuição a Marrom chamou Bethânia para gravar ‘‘Um Ser de Luz’’. Outra dívida foi paga com a participação da Velha Guarda da Portela em ‘‘Pintura Sem Arte’’. ‘‘O portelense Candeia foi um dos primeiros a confiar no meu samba’’, justifica.
Mas nem tudo é dívida. Algumas participações foram escaladas apenas pela admiração de Alcione. É o caso de Alexandre Pires do Só Pra Contrariar, que está na faixa ‘‘Estranha Loucura’’. Já o lilás Djavan faz um duelo de vozes com a Marrom Alcione em ‘‘Gostoso Veneno’’. A última da escalação é Cássia Eller que fecha o álbum com ‘‘Não Deixe o Samba Morrer’’. Assim, com participações e novos arranjos, faixas antigas ganharam cara nova capazes de estimular novas vendas.

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