Marrakech tem 1 milhão de habitantes e é conhecida como a Cidade Rosa por conta da coloração de seus prédios. A maior parte das casas é pintada nesta cor por duas razões: para evitar o reflexo do sol impiedoso, que no mês de agosto chega a elevar a temperatura a 48 graus, e para disfarçar a poeira que vem do Saara, trazida por um vento típico da região, que impregna os prédios. O deserto está próximo, a 220 quilômetros.
A cidade fundada pelo sultão Abu Bekr no século 10 foi capital do Marrocos várias vezes e embora tenha na Praça Djemaa El-Fna sua principal atração, tem outros encantos. É uma cidade de muitos jardins e árvores. Não queira compará-los aos jardins de Paris, mas as árvores, em especial, chamam bastante a atenção. O tipo de palmeira que dá tâmaras, por exemplo, pontilha a paisagem urbana. Estima-se que há na cidade mais de 450 mil delas - algumas das quais mais altas do que a maior parte dos edifícios -, que começam a dar frutos no mês de outubro.
A palmeira, como a figueira e a oliveira, são árvores sagradas para os muçulmanos. Os Jardins de Menara mostram a importância da oliveira para o islamismo. Trata-se de um bosque de 12 mil árvores, muitas das quais plantadas no século 17. Entre elas, a piscina, como é chamado um enorme açude cavado no século 12, que recebe água de dezenas de poços artesianos com 300 metros de profundidade cada. Ainda hoje ele abastece parte da cidade. A estrutura atual é de meados do século 19, um projeto encomendado pelo sultão Adu r-Rahman.
A mesquita da Koutobia é uma visita que vale a pena por sua história e principalmente para quem conhece Sevilha. Ela foi construída em 1147 e demolida logo em seguida, quando se descobriu que não estava alinhada com Meca, a cidade sagrada do Islã, que fica na Arábia - os muçulmanos oram voltados para Meca. Reconstruída pelo sultão Abdelmoumen, foi concluída apenas em 1199.
O templo não pode ser visitado por dentro, mas de fora pode-se contemplar a escultura no alto do minarete de 77 metros. São três esferas empilhadas, de tamanhos diferentes, que consumiram oito quilos de ouro. As esferas significam três dos cinco pilares do islamismo. A obra dourada no alto do minarete da Koutobia, que pode ser vista de praticamente qualquer lugar da cidade, serviu de modelo para a Giralda construída pelos árabes, durante o período de dominação na Andaluzia, na hoje Catedral de Sevilha. Ainda na medina há vários palácios cuja visitação é aberta ao público, entre os quais o de La Bahia, que tem um tradicional jardim andaluz, fontes e laranjeiras. Uma incursão por qualquer um deles pode mostrar o estilo árabe de vida.

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