Discrição, bom senso e coerência são marcas do profissionalismo de Marisa Monte desde o início da carreira. Seguindo essa linha e utilizando seu website e as redes sociais pela primeira vez para divulgar seu oitavo álbum solo de estúdio, "O Que Você Quer Saber de Verdade" (Phonomotor/EMI), ela conseguiu manter a expectativa e o sigilo até o dia oficial do lançamento, ontem. Como reconhece Adriana Calcanhotto em conversa com Marisa para divulgação do novo trabalho (disponível no site www.marisamonte.com.br desde anteontem), é um CD "sobre a impossibilidade do amor".

Marisa ficou cinco anos sem lançar disco de canções inéditas e alimentou o burburinho em torno do novo trabalho em doses homeopáticas. Primeiro com o áudio e o vídeo em streaming de "Ainda Bem", em que dança com o lutador Anderson Silva, depois com outro vídeo e a liberação para download grátis da faixa-título do CD, que lembra "Vilarejo".

Globalizado não apenas pelas ferramentas e pelo esquema de produção ("Levei sempre comigo o HD do projeto e fui gravando com músicos locais", escreveu a cantora em seu site) e de lançamento simultâneo em 30 países, o disco (produzido por ela e Dadi) foi feito entre Rio (a maior parte), Buenos Aires (uma canção) e mixado em Los Angeles (por Mario Caldato) e Nova York (por Patrick Dillet).

Entre melancólicas e ensolaradas, inéditas e regravações de canções do repertório de Jorge Ben ("Descalço no Parque"), Dalva de Oliveira ("Lencinho Querido"), Arnaldo Antunes ("O Que Você Quer Saber de Verdade"), Carlinhos Brown ("Verdade, Uma Ilusão"), Dadi ("Bem Aqui") e o filho dele André Carvalho ("Nada Tudo"), este é o disco mais em que Marisa mais se aproxima da canção dita popular. Não por acaso.

Naturalmente ela reconhece mais uma vez as influências que sempre se identificou em sua música: "Se eu estou aqui é porque ouvi Roberto Carlos e Tim Maia a vida inteira". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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