Arquivo FolhaO secretário João Marin
coloca as esperanças numa
conversa que terá com a secretária
estadual de Cultura Lúcia CamargoO ambiente cultural de Maringá está deprimido. Os produtores culturais estão sem receber o que a Prefeitura deveria repassar da Lei de Incentivo à Cultura. Estão desestimulados com a falta de diretriz e de diálogo por parte da Secretaria de Esportes e Cultura. Eles reclamam da falta de condições dos espaços culturais e da falta infra-estrutura e de apoio para todos os setores.
O secretário de Esportes e Cultura de Maringá, João Marin revela sua preocupação com o setor. Diz que a prioridade da Prefeitura, neste momento é a de pagar os salários atrasados dos seus funcionários.
Antes de marcar o calendário de eventos para 98 Marin diz que existem muitas providências a serem tomadas como a de buscar recursos do governo federal e o apoio que espera da secretária estadual da Cultura, Lúcia Camargo, com quem está agendando uma entrevista.
Teatros na piorMárcia Maria Simão Couto, diretora do Instituto da Música, sente falta de apoio nas suas produções. Ela diz quequando precisa de um local para as apresentações, mesmo agendando com antecedência encontra muitas dificuldades. ‘‘Se o espaço tem iluminação falta equipamento de som. Se tem som falta luz. Agendei uma apresentação de piano erudito na biblioteca central e quando estava perto disseram que o piano tinha ido para o Teatro Calil Haddad. Tive de transportar um piano meu e pagar por isso.‘‘Tem um projeto de um Festival de Música para outubro e temos que ir à luta. Não posso pagar o preço alto do Teatro Calil Haddad e os outros não têm a mínima condição. Mas ainda tenho esperança de até lá a situação melhorar’’, afirma a diretora do Instituto da Música de Maringá.
Arquivo FolhaAtores do espetáculo ‘‘Em Família’’: elenco teve que correr atrás de dinheiro para pagar os prejuízos
O secretário concorda que a situação dos teatros é precária. ‘‘Precisamos aparelhar e equipar os espaços culturais que estão em péssimas condições’’. Até o Teatro Regional Calil Haddad, inaugurado há um ano, ainda não está concluído. Faltam esquadrias de alumínio para as janelas, muitas delas sem vidros, faltam portas e outras peças do acabamento, além das salas de aulas e ensaios que darão apoio aos artistas. ‘‘Para piorar, o Teatro foi atingido durante um vendaval e parte do acabamento foi danificada’’, lembra Marin que está aguardando a liberação de recursos federais. ‘‘Nossos deputados estão se empenhando para conseguir o suficiente para pelo menos manter a parte administrativa. O complexo regional Calil Haddad formado por teatro, salas e um museu ainda está sem um nome responsável e sem pessoal para manutenção.
Marin alega que até para atender à programação esporádica faltam recursos. ‘‘Um dia de funcionamento do Calil Haddad custa cerca de R$ 1 mil à Prefeitura, e isso é impossível manter’’, conta o secretário. Marin diz que pretende dar mais atenção ao
Cine-Teatro Plaza que está com problemas na parte elétrica, e que hoje só atende aos encontros de grupos religiosos e ao Teatro Barracão que precisa de uma reforma geral. ‘‘O Teatro Reviver então, coitadinho, por falta de condições básicas como mesa de som e iluminação, virou uma espécie de sala de aula e de ensaio dos artistas locais’’, lamenta Marin. ‘‘Nossa esperança está numa conversa em breve com a secretária estadual de Cultura, Lúcia Camargo. Ela já demonstrou estar interessada em apoiar o Teatro do Paraná e temos a certeza que vai nos ajudar’’, diz o secretário maringaense.
Pobre Lei de Incentivo‘‘Ainda não conseguimos pagar nem aos produtores que foram contemplados com recursos no ano passado. Nenhum deles recebeu integralmente pelo projeto e alguns ainda não receberam nada. Primeiro vamos saldar esta dívida. Por isso não haverá edital para novos projetos neste ano’’, conta Marin preocupado com os R$ 65,5 milhões de dívidas contraídas pela Prefeitura desde outras gestões. ‘‘Somos a 17ªcidade em montante de dívidas no país. O prefeito Jairo Gianoto está lutando para pagar os salários atrasados dos seus funcionários que também ajudam a sustentar o município’’, conta Marin.
O diretor Pedro Ochôa do Teatro Universitário da UEM estava ensaiando no ano passado o projeto ‘‘O Palhaço na Praça’’ que foi selecionado entre os que receberiam verbas da Lei. Seu outro espetáculo ‘‘O Palhaço Tan Tan’’, também deveria, segundo a Lei, fazer dez apresentações nas escolas municipais. ‘‘Fizeram um corte na verba e fizemos só seis, por falta de pagamento’’, diz Ochôa.
A peça ‘‘Em Família’’, dirigida por Ochôa e produzida por Luthero Almeida e Laura Chaves (Grupo da UEM) só estreou porque tinha contrato com atores. ‘‘Mas como a Prefeitura não repassou a verba da Lei, todo o elenco teve de sair correndo atrás de patrocínio para poder pagar os prejuízos’’, conta Pedro Ochôa que como todos da produção investiu dinheiro do próprio bolso . ‘‘Acabamos trabalhando de graça’’, conta Ochôa.‘‘Nós que consideramos a Lei uma conquista da classe, hoje nos sentimos desestimulados. Afinal quem vai querer ter um projeto aprovado sabendo que não vai receber por ele?’’, diz Ochôa. Segundo o diretor teatral, a falta de diálogo entre a Secretaria de Cultura e os produtores é o pior de tudo. ‘‘Sabemos que as prefeituras estão com problemas, mas o mínimo que o Marin deveria fazer era chamar a gente para uma conversa, dar uma previsão do pagamento. Afinal, o que a Prefeitura arrecadou de IPTU daria para pagar o que nos deve, não como uma esmola, mas para valorizar os artistas locais, que diferente da atual gestão, já estão na área há mais de 15 anos’’. A produtora e bailarina Flor Duarte que teve dois projetos selecionados pela Lei só recebeu R$ 2 mil dos R$ 9 mil aprovados. ‘‘Comparando esta gestão à anterior posso dizer que o atual secretário tem se esforçado em apoiar as iniciativas culturais da cidade, o grande problema dele é a falta de dinheiro. A gente tem de reconhecer que ele está bem intencionado’’. As academias de dança de Maringá, que movimentaram o Calil Haddad no final de 97 estão se unindo através da Associação das Escolas Particulares de Dança, AEPAD. ‘‘Estamos querendo unir esforços para dar à cidade uma companhia profissional de Dança para juntar as forças’’.
O presidente da Sociedade de Amigos do Teatro, Heine Macieira, conta que as dificuldades em relação aos espaços culturais da Prefeitura e a Lei de Incentivo Cultural existem já há bastante tempo, desde a administração anterior. ‘‘A gestão Said Ferreira construiu o Teatro Calil Haddad, mas pouco fez em termos de política cultural’’, conta Macieira. Segundo ele, a própria Lei de Incentivo foi totalmente mal regulamentada. ‘‘Ao invés de buscar o patrocínio e a Prefeitura repassar para os produtores - o que não foi feito até agora- o empreendedor deveria receber diretamente do patrocinador que por sua vez teria o desconto ao efetuar o pagamento. O processo está invertido’’. Macieira contesta os critérios da comissão que julga os projetos da Lei de Incentivo. ‘‘Vários dos seus integrantes também tinham projetos sendo julgados pela comissão. Segundo a própria Lei isto é ilegal’’.

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