O Fórum Permanente de Cultura de Maringá realiza amanhã uma manifestação contra o veto do governador Jaime Lerner (PFL), ao Programa Estadual de Incentivo à Cultura. Aprovado no final do ano passado pela Assembléia Legislativa, o programa foi vetado por Lerner, preocupando as lideranças culturais de todo Estado. ‘‘O governo não quer manifestações culturais e vem com projetos enlatados para o povo engolir’’, desabafa Pedro Uchôa, um dos organizadores da manifestação.
Ele lembra que a Usina do Conhecimento, instalada em Maringá há mais de dois anos, não tem como aprovar projetos, e se tornou mais um órgão que serve de ‘‘cabide de emprego’’. As alegações do governador, de que o programa esbarra na Lei de Responsabilidade Fiscal e em questões ‘‘técnicas’’, não convencem. Uchôa lembra que o governo sancionou projeto semelhante para o esporte amador. ‘‘Agora, por questões políticas, Lerner vetou o programa’’.
A manifestação em Maringá começa às 10 horas na Praça Raposo Tavares, com a presença de artistas e organizadores de eventos culturais. No local será distribuída uma carta mostrando que o programa vetado pelo governador seria uma alternativa viável para a cultura. ‘‘Hoje qualquer apoio é difícil e complicado se não houver um incentivo’’, diz Uchôa. Na carta o fórum compara Lerner ao ex-presidente Fernando Collor, que ‘‘desmontou’’ os principais organismos de apoio à cultura nacional.
O fórum de Maringá, formado por artistas e dirigentes de organismos do setor público e privado, foi formado para pressionar contra o veto do governador Lerner. Mas segundo Uchôa, vai atuar em outras ‘‘lutas’’. A previsão é de ainda no primeiro semestre deste ano cobrar uma pauta de cultura da administração municipal. O prefeito José Cláudio (PT), lembra ele, tem um projeto para a área, que até agora não chegou à prática. ‘‘Vamos aguardar a volta do Legislativo até para a mudança do organograma da prefeitura, e depois ver o que teremos do município’’, afirma.

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