Maringá agora é cidade turística
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segunda-feira, 15 de dezembro de 1997
Marcos Zanatta Maringá 
Arquivo FolhaParque do Ingá: 47,3 hectares de mata nativa no centro da cidade e cerca de um milhão de visitantes por anoMaringá (norte do Paraná) passou a ser considerada pela Embratur como Cidade Turística, depois de diversas ações da comunidade dentro do Programa Nacional de Municipalização do Turismo (PNMT) nos últimos dois anos. O benefício imediato, explica a monitora do programa na cidade, Tiana Lorencete, é incluir Maringá em toda divulgação realizada pela Embratur no país e no Exterior.
Ela compara que o número de cidades consideradas turísticas caiu de 1.780 há dois anos para 1.143 agora. O que mostra a recompensa do trabalho realizado no sentido de incentivar o turismo no município, afirma. Maringá entrou no PNMT há dois anos, e já tinha recebido da Embratur o selo de cidade com potencial turístico. As localidades que recebem este selo normalmente possuem recursos naturais e culturais expressivos, mas que devem desenvolver um programa para avançar na área.
Um dos primeiros passos neste sentido, lembra Tiana, foi de convocar a iniciativa privada para mostrar os benefícios que o turista traz a toda economia local. Através do Conselho de Desenvolvimento de Maringá (Codem), foi formado o Conselho de Turismo, que reúne representantes do poder público e da iniciativa privada. A partir daí, começaram os trabalhos práticos. A empresa concessionária do transporte coletivo criou uma rota turística, com uma jardineira que percorre todos os pontos atrativos para os visitantes.
Os taxistas receberam treinamento para recepcionar bem os visitantes, e os hotéis e restaurantes da cidade estão unidos para divulgar a hospitalidade de Maringá. Conseguimos aglutinar os setores de interesse e a meta é continuar com um trabalho ainda maior a partir de agora, explica Tiana. Os grandes eventos realizados todos os anos na cidade também pesaram para a conquista do selo da Embratur. Mas o maior destaque ainda é o verde da cidade.
Macacos-prego Fora as mais de 80 mil árvores plantadas em praticamente todas as ruas e mais de 100 praças, Maringá possui ainda sete reservas florestais públicas, com quase 2,5 milhões de metros quadrados de matas nativas. Os visitantes ficam impressionados com o verde da cidade e sempre voltam quando procuram um local tranquilo para passar uns dias de férias, diz Tiana. Apenas o Parque do Ingá, que tem 47,3 hectares de mata nativa no centro da cidade, recebe cerca de um milhão de visitantes por ano.
O parque, único administrado pelo município aberto à visitação, possui trilhas em maio a mata, um minizoológico com espécies antes comuns na região, um lago e o jardim japonês. Os estudantes que agendam a visita fazem um passeio pelas trilhas acompanhados de monitores do parque, que fazem um trabalho de Educação Ambiental. Outra atração é a primeira locomotiva que chegou em Maringá, totalmente restaurada.
No Bosque 2, ou dos Pioneiros, os visitantes não podem entrar na mata, mas brincam, todo final de tarde, com os macacos-prego que moram na reserva. Os macacos saem até a borda da mata, sempre a procura de alimentos, e apesar de ariscos aceitam a visita das pessoas. No Horto Florestal, reserva administrada pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, responsável pela colonização de toda a região, o destaque é a mata fechada e o viveiro, de onde saíram as mudas de árvores plantadas nas primeiras ruas abertas em Maringá.
Natal ecológico A grande atração, local obrigatório de parada para todo visitante, é a Catedral Basílica Nossa Senhora da Glória. Com 124 metros de altura é o maior monumento da América Latina e o décimo do mundo. Desde o início do ano, a escada que leva até o mirante, com 580 degraus e a 84 metros do solo, está aberta a visitação pública. A praça da catedral reúne centenas de jovens nos finais de semana. Aos sábados de tarde os noivos que casam em igrejas de toda cidade vão para a praça fazer fotos, e aos domingos o gramado é ocupado por famílias inteiras.
A última iniciativa para atrair o visitante, e que chamou a atenção da Embratur, é o Natal Ecológico de Maringá. O município, junto com a iniciativa privada, construiu uma casa do Papai Noel de 120 metros quadrados e uma árvore de Natal com 12 metros de altura, tudo em material reciclado. A praça onde está a casa, no centro da cidade, está decorada com 300 mil lâmpadas. O projeto despertou o interesse da Embratur, que nos pediu um documentário para exibir nos congressos que serão realizados no Brasil e no exterior, revela Tiana.


