Marina Machado dá grito de independência pop
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segunda-feira, 05 de maio de 2008
Lauro Lisboa Garcia<br> Agência Estado 
Quando Milton Nascimento lançou o álbum ''Pietà'' em 2002, deu gás a três vozes femininas distintas: Maria Rita, Simone Guimarães e Marina Machado. A primeira, por ser filha de Elis Regina, concentrou as maiores atenções da mídia e do público. Simone já tinha a carreira de certa forma consolidada. Marina andava pelas próprias pernas, mas ainda precisava de apoio mais firme. Foi aí que pediu para continuar trabalhando com Milton.
Quando decidiu carregá-la para suas turnês durante cinco anos, o cantor abriu espaço para participação especial dela nos shows e fez alarde de suas qualidades vocais. A fim de compensar o tempo que desviou o rumo da carreira da cantora para seu lado, Milton disse que se sentiu na obrigação de lançar um disco dela por seu selo Nascimento. O resultado é o bom ''Tempo Quente'', seu segundo solo.
Amargando uma desilusão amorosa, Marina, a princípio queria fazer ''um disco bem deprê'', mas acabou mudando de idéia a partir de sugestões de Dênio Albertini (que fez com ela a seleção de repertório) e do baixista Alexandre Mourão (o Boi), que divide com os dois mais Robertinho Brant a produção do CD. A faixa-título, de Anderson Guerra, é uma suingada bossa-jazz eletrônica. Lília ganhou interessante acento de drum'n'bass. ''Assim'', de Moreno Veloso, tem uma levada dance.
Quem conheceu Marina nos shows de Milton pode estranhar a voz, que parece mais nasalada neste CD, mas mantém firme a afinação. O perfil sonoro também é outro, bem mais pop até do que seus trabalhos anteriores. A proposta é essa mesma. ''Estava meio incomodada de ficar carregando a bandeira de 'filha do Clube da Esquina', ou qualquer coisa parecida. Amo isso, mas sou uma intérprete, quero ter liberdade de caminhar por onde quiser'', diz a cantora. Dando voz a significativas letras, ela consegue soltar seu grito de independência, como pretendia. Sem grilos ou exageros.


