Marina Machado, agora pop
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de julho de 2008
Lauro Lisboa Garcia<br> Agência Estado 
A principal referência da mineira Marina Machado já se tornou bem conhecida. Depois de participar do álbum ''Pietà'', de Milton Nascimento, em 2002, ela acompanhou o cantor pelas turnês durante cinco anos. Agora, Marina mostra seu outro lado de intérprete no álbum ''Tempo Quente''. É seu sexto disco, o terceiro solo e o mais pop de todos.
Milton assina a direção artística do CD, lançado por seu selo Nascimento, e é autor de duas faixas - a instrumental ''Lilia'' e ''Unencounter'', a versão em inglês de ''Canção da América'' - e canta com ela ''Discovery'', de Lula Queiroga. No entanto, a cantora, tida como ''filha do Clube da Esquina'', expande seus belos horizontes para além das asas protetoras do padrinho. ''Não quero me desvincular, mas não quero ficar limitada a isso. Sou fã do Clube da Esquina, tenho uma relação muito boa com Lô Borges, Beto Guedes, Milton. Mas quero também cantar outras coisas, sou uma intérprete, não preciso ficar cantando só um ou outro compositor só'', diz Marina.
Nessa vontade de variar ela equilibra o antigo e o novo no álbum, com canções de Vinicius de Moraes (''Samba de Gesse''), Erasmo e Roberto Carlos (''Grilos''), Marcos e Paulo Sérgio Valle (''A Paraíba Não É Chicago''), Seu Jorge (''Seu Olhar''), Max de Castro (''Candura'') e os conterrâneos Affonsinho (''Disco Voador'' e ''Vagalumes''), Samuel Rosa e Chico Amaral (''Simplesmente''), entre outros. A faixa-título é de Anderson Guerra. Samuel e Seu Jorge também cantam com ela no CD em faixas de outros autores.
Marina diz que todas as músicas do CD ela canta para alguém. ''Todas as letras eu canto como se estivesse conversando com uma pessoa, mas na verdade é pra mim mesma'', diz a cantora, que, tendo passado por uma desilusão amorosa, havia pensado a princípio em fazer um disco melancólico.
''Tinha terminado um namoro e sempre que escolhia uma música para cantar, percebia que era triste. Mas é engraçado que depois fui percebendo que as letras das canções que escolhi tinham sempre uma tirada positiva dessas situações e me faziam rir das coisas.'' Uma faixa dançante (''Assim'', de Moreno) e outra tranquila (''Otimismo'', de Célio José e Marize Santos) são duas faces bem ilustrativas desse estado de espírito.


