Guto Andrade/SEC)Marina Colassanti: ‘‘A poesia sempre foi o alimento do meu coração’’A era da informática empurrou o homem para a velocidade tecnológica, mas ao mesmo tempo obrigou-o a ser ‘‘um bom leitor’’. ‘‘Hoje sabemos que só se pode enfrentar a absoluta modernidade sendo um bom leitor. Nem que seja para decodificar folheto de computador’’, brincou a escritora Marina Colassanti, quando esteve em Curitiba, na 1ª Feira Interamericana do Livro, na semana passada.
O assunto, porém, é sério. Os países estão se dando conta cada vez mais da importância do livro e da leitura, afirmou Marina. Isso acontece também no Brasil, mas nada tem a ver com estabilidade na economia. ‘‘Eu acho que a questão é mais de percepção econômico-política e de vontade política’’. Ela deu como exemplo o lançamento do Pólo Editorial Paraná, lançado na Feira pelo governador Jaime Lerner, com livros sendo vendidos a R$ 1,80.
O próprio evento literário é uma prova da vontade política, segundo a escritora. ‘‘Você vê que neste Estado, nesta cidade há toda uma movimentação em direção ao livro que vem num crescendo nos últimos anos. Em outros lugares, eventualmente, mais ou menos intensamente, se sente esse despertar’’.
Marina Colassanti só não vê maiores empenhos do governo federal, ‘‘mas pode se fazer muita coisa sem Brasília’’, alfinetou. Questionada se a necessidade de leitura teria origem na sociedade a escritora respondeu:
- Eu creio que é originado primeiro pela percepção de que o computador não vai resolver todos os nossos problemas, sobretudo os culturais. Além disso, o mundo se torna cada vez mais competitivo e, para vencer nesse mundo, são necessários conhecimentos que se adquirem através da leitura.
Em Curitiba a escritora lançou ‘‘Longe Como o Meu Querer’’ (contos). No momento termina ‘‘A Felicidade de Papel’’, que está para ser editado ainda este ano, e trabalha também noutro projeto, ‘‘O Leopardo é um Animal Delicado’’. Otimista, afirma que a literatura ‘‘sempre vai bem, o que eventualmente apresenta dificuldades é o mercado do livro’’.
Nos encontros literários falou-se sempre e muito que o brasileiro lê pouco conto e poesia. Ele prefere romance. Marina Colassanti renega esses discursos. ‘‘Você sabe que eu sou uma pessoa muito desconfiada do que se diz?’’, rebate, dona da simpatia. ‘‘Eu leio muito conto, adoro. Os grandes contistas são maravilhosos e poesia sempre foi alimento do meu coração. Isso está na nossa essência, somos seres narradores e musicais. E o cruzamento da narração e a música é a poesia. Então podem me dizer o que quiserem que eu não acredito’’.

mockup