Folha de Londrina: As prateleiras das livrarias exibem sua obra ''Contos de Amor Rasgados'', publicada originalmente em 1986. O que faz com que esses contos continuem atuais?
Marina Colasanti: Se eu fosse um pouco menos modesta, diria que eles eram moderníssimos, inovadores, quando primeiramente os publiquei. Mas não me atreveria a fazer semelhante afirmação. Provavelmente, continuam atuais porque o tema - o amor - continua em pauta como um dos primeiros da lista. E também porque eu não o tratei de forma realista, mas simbólica. E símbolos não precisam de botox.
A prosa é hegemônica em sua produção literária. Que lugar a poesia ocupa em seu universo de criação?
A poesia é uma constante, em todos os sentidos. Como leitora, a poesia habitou as estantes da minha casa desde o início da adolescência (naquele tempo a adolescência começava mais tarde, mas nem tanto). Adiante, casei com o poeta Affonso Romano de Sant'Anna, e a presença da poesia decuplicou-se em minha casa. Talvez até por isso, pelo respeito que a poesia me incutia, pela admiração, tenha demorado tanto a me assumir como poeta. Meu livro de poesia mais recente, ''Passageira em Trânsito'', ganhou este ano o Prêmio de Poesia da Biblioteca Nacional, e é finalista do Jabuti. Agora, são já quatro livros, e vontade nenhuma de parar.
Você escreveu um livro de suas memórias de infância. Quando será publicado?
Daqui a uma semana aproximadamente, deve ir para as livrarias ''Minha Guerra Alheia''. É um livro de memórias, para adultos, em que trato dos 10 primeiros anos da minha vida. Mas é sobretudo uma grande reportagem sobre a guerra, a Segunda Guerra, vista pelo lado do cotidiano, vista de dentro de casa. O livro viaja pela África, onde nasci, atravessa a Itália, vive os anos do conflito e os dois difíceis anos do pós guerra, e acaba quando tomo um avião rumo ao Brasil. Estou ansiosa para ver como vai ser recebido, falar de fatos tão candentes e às vezes tão pessoais não foi fácil.
Há outros livros prontos na gaveta ou no prelo?
Sim! Um outro livro sai em outubro. De poesia, para crianças, poemas curtíssimos, nonsense, inesperados. Traz ilustrações de Rubem Grilo, um dos maiores artistas deste País. Temos muito essa mania de chamar todo mundo de maior isso e maior aquilo, mas no caso do Rubem é verdade - fez xilogravuras admiráveis para os poemas, e cuidou de toda a parte gráfica. O resultado é um livro-arte, uma coisa preciosa que qualquer pessoa desejaria ter. Chama-se ''Classificados, e Nem Tanto''.

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