MARINA AO VIVO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de dezembro de 2000
Nelson Sato De Londrina 
O ciclo de estiagem criativa parece interminável. Se bobear, a cantora Marina Lima vai completar uma década divorciada de seus antigos admiradores, ainda que a cada temporada conquiste alguns simpatizantes ao confessar suas fragilidades em público.
Síssi na Sua ao Vivo (Universal), seu novo trabalho, é o registro dos shows que fez entre o final de setembro e começo de outubro no DirecTV Music Hall, em São Paulo. Soa como uma adesão tardia à avalanche de discos ao vivo que inundou as lojas do país nos dois últimos anos.
Mas em seu caso, há uma ressalva: os shows tiveram o significado especial de uma volta aos palcos, depois de ficar seis anos longe das platéias três dos quais em profunda depressão, como ela mesmo revelou em entrevistas. E, mais do que isso, as apresentações serviriam como teste definitivo para suas cordas vocais, que tanta boataria e constrangimento provocaram depois das hesitantes performances nos álbuns Registros à Meia Voz (1996) e Pierrot do Brasil (1998).
A turnê começou em junho em Juiz de Fora e terminou no Rio de Janeiro em dezembro. Ao todo, foram 25 apresentações incluindo Curitiba, Belo Horizonte e cidades do Sul. No disco, Marina chega a surpreender trazendo os agudos intensos de volta, embora drible notas interpretando algumas canções num tom diferente da gravação original.
O problema é o repertório: aguado no disco 1 e irregular no disco 2. Se o primeiro CD empresta a maioria das faixas do insôsso Pierrot, o segundo CD mescla sucessos (Fullgás, Pra Começar, Virgem, Acontecimentos) com três músicas inéditas Mel da Lenda (parceria de Marina com Willian Magalhães), Síssi (com letra da escritora Fernanda Young) e Estou Assim (também de Fernanda Young).
Estou assim / Como o mar que não chega na areia / Estou assim / Com esse sangue estancado na veia / Até você me ligar diz, sob roupagem eletrônica, os versos iniciais desta última. É um dos poucos momentos empolgantes do disco, ao lado da funkeada À Francesa, que é acompanhada em coro pelo público. Fernanda Young assina também um texto introdutório, narrado por Marina e Enrique Diaz (responsável pela direção dos shows da turnê).
Diaz recita ainda um fragmento do poema Os Ombros Suportam o Mundo, de Carlos Drummmond de Andrade. É muita literatura para um pastel de vento.


