Marília Pêra e Falabella fazem leitura dramatizada de Leilah Assumpção
São Paulo, 23 (AE) - A atriz Marília Pêra é a estrela da programação desta semana do projeto Segundas em Cena, promovido pelo Sesc Pinheiros, em São Paulo. Ela e Miguel Falabella farão uma leitura dramatizada da peça "Fala Baixo senão Eu Grito", de Leilah Assumpção.
Com o ator Gracindo Junior, Marília ensaia uma nova peça
"O Altar do Incenso ou Sonata ao Luar", de Wilson Sayão, sob direção de Moacir Chaves, que talvez tenha sua estréia em São Paulo, no Teatro Alfa Real, em julho.Na quinta-feira a atriz poderá ser vista na telinha, num quadro criado especialmente para ela pelo diretor Ulisses Cruz, no programa "Zorra Total", da Rede Globo. Ela prepara ainda um programa-piloto para a TV, um projeto acalentado há dois anos, uma espécie de aula de teatro filmada.
Traduzida e encenada em vários países, "Fala Baixo senão eu Grito" é uma peça significativa na vida da atriz que iniciou sua carreira como bailarina e ingressou no teatro atuando com o sucesso em musicais como "A Moreninha" e o histórico "Roda Viva". "Até atuar em Fala Baixo eu era vista como uma atriz que cantava, dançava e representava, mas jamais tinha interpretado uma personagem com grande força dramática", lembra.
Bastou uma leitura do texto realizada por amigos, entre eles o ator Paulo Villaça, que depois atuaria com ela na peça, para Marília apaixonar-se pela personagem da solteirona Mariazinha Mendonça de Morais. Com sua intuição, acertou ao apostar na peça da então desconhecida autora, arranjando dinheiro para fazer a peça. "Eu era muito nova para o papel, tinha só 25 anos e se não a produzisse, ninguém me permitiria interpretá-lo", lembra.
"Na primeira leitura, encantou-me a possibilidade de viver uma persongem dramática, mas quando comecei a ensaiar vi que o papel era também muito engraçado", diz. Mariazinha é uma solteirona na faixa dos 40 anos, virgem, que mora num pensionato e vê sua vida mudar inteiramente quando se apaixona por uma ladrão que invade o seu quarto. "Ela vive num universo de faz-de-conta, age como se fosse uma menininha e ele a faz acordar para a sexualidade e o amor, ainda que de forma violenta."
Falabella e Marília estarão lendo juntos pela segunda vez a peça. "Há 15 anos fizemos uma leitura dessa peça no Rio; o Miguel nem era ainda esse louro, alto e solteiro de hoje", brinca. Marília convidou Fábio Namatame para dirigir a leitura, mas ainda não sabe se vão usar figurinos ou adereços. "Talvez o Falabella leve uma camiseta para mostrar aqueles músculos dele e eu penso numa camisola e uma flor no cabelo, mas ainda não sei de nada."
Ela também não sabe se vai estrear seu novo espetáculo no Rio ou em São Paulo. "Se sair o patrocínio do Banco Real nós vamos estrear no dia 7 de julho naquela sala pequena do Teatro Alfa Real; do contrário, sem patrocínio, fica caro estrear em São Paulo." "Sonata ao Luar" é uma produção do autor e tem apenas dois atores, uma casal de meia-idade, juntos há 30 anos.
Marília trabalha ainda na formatação de um piloto para seu sonhado programa de TV. "Vamos gravar duas pequenas cenas de uma tragédia e um comédia gregas", diz. O objetivo é mostrar como se faz uma cena no teatro, uma espécie de making of da criação de uma cena, com interferência do diretor, de orientadores de voz e corpo. "Será um programa ágil, engraçado e tenho certeza que despertará grande interesse no público."





