Marília ganha o tablado
Marília Pêra está disposta a resgatar uma paixão antiga: a dança, que ela estudou e exerceu profissionalmente antes de se tornar atriz e cultivou como recurso técnico ao longo de toda sua carreira.
A volta de Marília ao palco como bailarina acontece em setembro, quando a atriz participa, como convidada especial, do novo espetáculo do coreógrafo Ivaldo Bertazzo, Ciranda dos Homens... Carnaval dos Animais. Eu vinha acalentando uma nostalgia de fazer parte de um corpo de baile, diz a atriz, que está fazendo aulas com a disciplina dos bailarinos profissionais.
Nas salas de aula da escola de Bertazzo, Marília chega a surpreender com a precisão e naturalidade com que executa passos e sequências coreográficas. Paralelamente aos ensaios em São Paulo, ela continua protagonizando a peça teatral Toda Nudez Será Castigada, em cartaz no Rio de Janeiro. Além dessas atividades, está supervisionando um show de Zezé Motta e começando a gravar uma telenovela.
Arquivo FolhaVontade de fazer parte de um corpo de baileEm meio a tantos compromissos, ela diz que não poderia perder a chance de participar do espetáculo de Bertazzo, que lhe permite exercitar múltiplas habilidades. À parte as sequências de dança, Marília também canta e interpreta versos de poetas brasileiros em Ciranda dos Homens.... Em uma das cenas, ela anda de bicicleta em volta de uma pirâmide humana, enquanto pronuncia poesias de Drummond, Olavo Bilac, Gonçalves Dias etc. Entre as canções que ela canta, estão Anta, Tamanduá e O Sinimbu, de Almeida Prado, além de Galinho Garnizé, que se tornou famosa na voz de Ademilde Fonseca.
Sobre sua ligação com a dança e a música, Marília afirma que, estimulada pelo pai, começou a estudar piano e balé ainda na infância. Eu queria mesmo ser bailarina, recorda. Tinha 11 anos quando meu pai me matriculou no Serviço Nacional de Teatro, do Rio de Janeiro, onde as aulas de dança eram gratuitas.
Na adolescência, Marília dançou no Circo Tihanny. Eu e outras bailarinas, todas nas pontas, fazíamos ligações entre os números de mágica. Mais tarde, no final dos anos 70, quando já era uma atriz consagrada, teve outra experiência fundamental ao ser dirigida na peça O Exercício pelo professor e coreógrafo Klauss Vianna, que lhe revelou uma nova maneira de se expressar corporalmente. Com isso, a dança e a música se tornaram complementos indispensáveis em minha profissão de atriz, diz Marília.Arquivo FolhaMarília: dança como primeira opçãoAna Francisca Ponzio
Agência Folha





