Marieta Severo faz vilã
São Paulo, 30 (AE) - O ano que se encerra foi bom para Marieta Severo. "Muito produtivo", ela diz, falando com a reportagem pelo telefone de Angra, onde passa as festas de fim de ano. No seu ativo, ela contabiliza o segundo ano de sucesso da peça "A Dona da História e a rodagem de Castelo Rá-Tim-Bum - O Filme. "Rodei o filme quando estava com a peça em São Paulo", conta. Foi trabalhoso. Marieta apresentava-se à noite no teatro, levantava às 5 horas e ia para o set. Sofria com a maquiagem para transformar-se em Losângela, mas valia a pena. "O clima era maravilhoso, estava todo o mundo afinado, a gente se divertia bastante."
Marieta confessa que o Castelo não fazia parte de sua vida. "Minhas filhas são do tempo de Vila Sésamo", explica. Mas ela conhecia o Castelo, sabia de sua importância como opção inteligente para crianças numa televisão dominada pela banalidade e pelo consumismo. Adorou ao ser convidada para fazer uma personagem nova do Castelo, a arrivista Losângela. "Queria fazer alguma coisa para crianças, mas não ia aceitar qualquer coisa." Ela destaca o que lhe parece um aspecto importante do trabalho do diretor Cao Hamburger no Castelo: a responsabilidade. "Não é um produto que pensa na criança apenas como mercado consumidor; investe na sua inteligência, na sua sensibilidade."
Nos primórdios da TV, ela trabalhava na extinta Tupi, num programa intitulado Teatrinho Trol, com produções voltadas para o público infantil. E integrou, fazendo a Gata, o elenco da primeira montagem (no Canecão do Rio) do musical Os Saltimbancos". Adora fazer coisas para crianças, mas não baixa seu padrão de exigência: elas têm de ser criativas.
Para fazer Losângela, participou de sessões de leitura com o diretor e seus colegas de elenco. "A Rosi (Campos), o Sérgio (Mamberti) e o Pascoal (da Conceição) já dominavam seus personagens da TV, deram um tom ao qual me integrei." Seu desafio era criar uma vilã que fosse ao mesmo tempo ameaçadora e envolvente para as crianças. Como achou o tom? "Aaaaai", responde. É difícil explicar. O importante é que achou. Repete o que já disse outras vezes: "Sabia que um dia esse queixo ia servir para alguma coisa."
Nos últimos 20 anos, Marieta tem feito bastante cinema. Esteve em Carlota Joaquina, A Guerra de Canudos e muitas outras produções recentes. No teatro, vai remontar "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?" com Marco Nannini, com estréia prevista para junho, em São Paulo. Na TV, vai fazer a próxima novela das 8, de Manoel Carlos. Tem várias propostas para filmes
mas ainda não se decidiu - o novo de Carla Camurati, por exemplo. Por enquanto curte a expectativa de que o Castelo seja um sucesso.





