Em sua primeira dublagem, Marieta Severo levou dois dias para fazer jus à voz da vilã Yzma, do desenho animado da Disney, ‘‘A Nova Onda do Imperador’’, que estréia hoje no Brasil. Selton Mello, escolado – dublou durante oito anos, apesar de permanecer afastado do ofício nos últimos dez – cumpriu em único dia a missão de modular os dengos e malícias de Kuzco, o idiossincrático protagonista do filme.
Como na versão original, nos EUA, rostos conhecidos do palco e da televisão dublam os principais personagens. Além de Marieta e Mello, o ator Humberto Martins ‘‘persegue a boca’’ de Pacha, o sujeito que desperta no jovem imperador a noção do próximo.
‘‘A mensagem do filme é humanista’’, afirma Marieta. Sua personagem, Yzma, acompanhada do infiel escudeiro Kronk (Guilherme Briggs, dublador nato), tenta matar o imperador incauto, que custa a perceber a traição.
Pacha, um cidadão comum, cuja casa é ameaçada de desapropriação por conta da ganância de Kuzco, é quem justamente irá salvá-lo, movido por sentimento de amizade.
‘‘Kuzco é um pouco afeminado em seus trejeitos, mas na verdade é um adolescente mimado, prepotente’’, afirma Mello, que já dublou o personagem Raph Macchio na série ‘‘Karatê Kid’’.
Das 250 cópias de ‘‘A Nova Onda do Imperador’’ que serão apresentadas a partir de hoje no circuito brasileiro, 30 são dubladas. Dois fatores contribuem para essa preferência do público em relação aos desenhos animados: a qualidade técnica da dublagem e o fim do estereótipo de que se tratam de obra predestinada apenas à platéia infantil.
A avaliação é do gerente de marketing da distribuidora Buena Vista International, Eduardo Rosemback. Cita exemplo: ‘‘Hércules’’ (97) vendeu 1,5 milhão de ingressos, enquanto ‘‘Dinossauro’’, cerca de três anos depois, atraiu 3,3 milhões de espectadores.
‘‘Se a projeção apresentar baixa qualidade de áudio, não reclame da cópia, vá falar com o gerente do cinema’’, diz Rosemback.

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