São Paulo- O mapa dos afetos numa metrópole contemporânea foi o eixo que fez de ''Sex and the City'' uma das mais cultuadas ficções do nosso tempo, hábil em captar as flutuações do desejo, as modas e manias, revelando sentimentos de insatisfação comuns a mulheres e homens.
A comédia romântica ''Marido por Acaso'' tenta seguir os passos de Carrie Bradshaw e companhia. Sem se arriscar no mesmo tanto de sarcasmo e de autogozação, no entanto, o filme limita-se a reproduzir modelos de satisfação ultrapassados.
Uma Thurman é Emma, psicóloga de autoajuda e apresentadora de um programa de rádio no qual responde a dúvidas afetivas seguindo o modelo de fórmulas prontas. Assim, Emma aplica a racionalidade e impede seus ouvintes de caírem vítimas dos irracionalismos do coração.
Como prova de que o destino não se controla, os conselhos dela acabam por atrapalhar a vida sentimental de Patrick, um bombeiro que está prestes a se casar com Sofia. Para se vingar, o coitado coloca em risco a iminente união da apresentadora com seu par perfeito, o almofadinha Richard.
Por trás da aura de divertimento inofensivo, contudo, ''Marido por Acaso'' é um filme ultrapassado e não só porque repete recursos de uma estética clássica. Enquanto as ''comédias de recasamento'' dos anos 30 escondiam um jogo subversivo ao ironizar o papel social então designado às mulheres, ''Marido por Acaso'' tenta nos convencer de que, ao fim de tantas conquistas, o único desejo ainda não realizado das mulheres liberadas do século 21 é ter um homem para chamar de seu.

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