São Paulo, 11 (AE) - Maria Padilha é mesmo uma mulher corajosa. Depois de ter conseguido produzir uma montagem do porte de "As Três Irmãs", acaba de aceitar o convite de Helena Servero, secretária de municipal de Cultura do Rio, para assumir a direção artística do Teatro Glória, em substituição ao diretor Gabriel Villela, que pediu exoneração do cargo.
Ela será a primeira mulher a dirigir uma das casas da Rede Municipal de Teatros, uma política cultural da prefeitura do Rio por meio da qual artistas são contratados para a direção artística dos teatros, enquanto a Secretaria de Cultura não só provê os recursos para o funcionamento do edifício teatral - manutenção técnica e de mão-de-obra - como uma verba anual para a montagem de espetáculos.
Domingos de Oliveira, Sérgio Britto, Moacyr Góes e Aderbal Freire-Filho são alguns diretores da rede. Não foi o medo da trabalheira que levou Maria a hesitar antes de aceitar o convite. Pelo contrário. Depois da produção de "As Três Irmãs", a administração do teatro chega a ser um descanso. "Os teatros da rede têm uma infra-estrutura muito boa, não preciso preocupar-me com burocracia administrativa e o teatro foi reformado, está um brinco", diz.
"Minha função é artística: imprimir um perfil para o teatro", observa. E sua hesitação veio justamente do perfil que deseja para um teatro municipal. A atriz sonha com um teatro que funcione o dia inteiro, que seja ao mesmo tempo um local de formação de artistas e um ponto de encontro da comunidade local.
"Hesitei por não ter um grupo teatral, porque acho que fica mais fácil para uma companhia promover palestras, workshops e cursos, ou seja, criar um processo contínuo no teatro". Topado o desafio, porém, Maria já arregaçou as mangas e fez contato com amigos para tocar o projeto que tem em mente para o teatro.
Entre os seus planos está a transferência do tradicional horário de 21 horas das peças para as 19 horas. "Além de atrair o público na saída do trabalho, como já ocorre no Centro Cultural Banco do Brasil, quero ocupar o horário das 22 horas com shows de música". Ela planeja criar uma estrutura para que as pessoas possam beber durante os shows. Também está nos seus planos promover exposições de artes plásticas no hall do teatro e muitos cursos. E deve começar pelo grupo mineiro O Galpão, que apresenta em julho "O Molire Imaginário", no Glória, ainda na agenda programada por Gabriel Villela. "Eles podem dar workshops", diz.
"O Glória é um teatro público e por isso acho que deve transformar-se num centro de formação, mas sobretudo um lugar de divertimento; afinal, estamos no Rio". Para garantir essa formação, Maria Padilha quer levar grupos para apresentarem seu repertório no Glória e cita como exemplo o Tapa, de São Paulo. Já fechou também uma parceria com o inglês Paul Heritage, que deve ajudá-la na criação de um curso de dramaturgia, realizado em parceria com escritores brasileiros e ingleses. E, principalmente, diz contar com os amigos para garantir a atividade constante do Glória. Entre outros, cita os atores e diretores Pedro Cardoso, Antônio Pedro, Ricardo Blat, Hamilton Vaz Pereira e Amir Haddad. "Eles não vão deixar-me na mão", garante. (B.N.)

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