Maria de Los Angeles
Maria de Los Angeles
Dizem que um imigrante pode esquecer tudo, até a língua pátria, mas nunca os temperos de sua origem. O cheiro da sua comida. Quem se diz espanhol sem amarelar bem sua paelha com açafrão? Ou japonês sem sua exótica raiz forte? Ou hindu sem curry?
Apesar de ter me tornado, e minha comida, bastante cosmopolita, não pude negar os meus temperos, as especiarias mais fortes a perfumar meu sangue espanhol, como o açafrão, um suave tempero feito do pistilo de uma flor lilás. Os campos onde se cultiva são mares lilases lindos de se ver. Uma paelha sem ele, não é paelha.
Além desse, todos os outros condimentos são comuns a esta raça invasora de ibéricos, gregos etc. que somos. E que se espalhou pelo mundo. Por exemplo o pimentão vermelho, doce ou picante, do qual é feita a páprica. São alimentos/condimentos: alho, azeite, azeitonas, alfavaca, alecrim, orégano, queijo. Nos doces, cravo, canela, cascas e folhas de cítricos, mel com perfume de flor de laranjeira. Não há como fazer um molho de tomate que preste sem louro, páprica, azeite, pimenta.
Tempero vem de temperança (arcano 14 do tarô) que significa o domínio do desejo, a moderação, a medida. Portanto, nunca deixe que o gosto de um deles sobressaia. Pitadinhas prudentes, intuitivas, levíssimo perfume no final do aroma e paladar.
Nossa raça de língua latina, de colonizadores é tão louca por especiarias, que por isso estamos aqui, no Novo Mundo. Quem conhece um pouco de história sabe a que me refiro. Aliás, acho que ela nem existiria sem um pouco de tempero, alma das coisas e da comida.





