1958 foi um ano difícil para Maria Callas. Tanto o Metropolitan de Nova York quanto o La Scalla de Milão fecharam-lhe as portas, e ela teve de se contentar com uma temporada no Palais Garnier, em Paris, e uma série de recitais e gravações. Foi em 58 também que ela se despediu de Violetta da ‘‘Traviatta’’, de Verdi, um dos papéis que a consagraram como uma das maiores divas do século. Na realidade, ela não estava abandonando somente a ‘‘Traviatta’’, mas a ópera verdiana em geral, pois sentia que seus recursos vocais já decaíam e, a partir daí, ela apresentaria muito pouco e com muito cuidado óperas de Verdi em público, restringindo-se ao seu repertório básico de Donizetti, Bellini e Rossini.
Daí a idéia de gravar naquele ano em Londres árias de alguns de seus principais papéis verdianos, como Lady Macbeth, que foi um dos maiores triunfos de sua carreira.
Podemos dizer que em 1958 Callas ainda podia enfrentar com brilho e desenvoltura as complexas exigências técnicas e psicológicas de uma Lady Macbeth, como prova sua atuação em ‘‘Vieni! T’affretta’’ do ato 1. ‘‘Una Macchia E qui Tuttora’’ (ato 4) é antológica e está incluída no álbum ‘‘Callas Rarities’’. Sua performance em todos os trechos selecionados desse CD é apaixonada, entusiasmada, dramática e talvez até um pouco exagerada, pois ela sabia que em breve não seria mais capaz de enfrentar esses complexos papéis.
Ela estava certa e quatro anos mais tarde decidiu se despedir definitivamente de Verdi gravando em 1963 em Paris um segundo álbum com árias de ‘‘Otello’’, ‘‘Aroldo’’ e ‘‘Don Carlo’’. Aqui, sua voz já soa bastante escura e sem o potente vibrato que a notabilizou. Ela já estava então padecendo de sinusite e raramente aparecia em público. Essas gravações, remasterizadas pela EMI Classics, constituem uma rara oportunidade para conhecer a arte e a técnica de Callas em papéis verdianos que raramente são apresentados hoje. ‘‘Maria Callas - Verdi Arias 1’’ (1958) e ‘‘Verdi Arias 2’’ (1963) custam em média, cada um, R$ 25.

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