Um disco novo de Maria Bethânia sempre é um retrato de uma bela história de amor - da relação da própria cantora com a música, com os compositores que lhe enviam suas composições e com os fãs que lhe devotam uma profunda admiração. Sem contar que o tema também é uma constante em seu repertório.
Mas, desta vez, o amor atingiu outro patamar: chegam às lojas amanhã os álbuns ''Tua'' (Biscoito Fino) e ''Encanteria'' (Quitanda), cada um com 11 faixas, a grande maioria inédita, e ambos celebrando o amor em todas as suas formas e intensidades. ''Amor foi o que me moveu. A compreensão do amor para mim. Entendo o amor assim, não só o romântico, o engraçadinho, mas também o devoto, o amor que festeja, todos os lados'', comentou a cantora na coletiva de imprensa realizada na última quinta-feira na Gafieira Estudantina, no Rio de Janeiro.
Questionada se não tem preocupações com pirataria e mercado ao lançar dois discos de uma vez, ela foi enfática: ''se for me ocupar da pirataria, da vendagem, da dificuldade, não vou fazer o que eu vim fazer que é cantar. Isso tem gente aí pra fazer. Aliás, a gente elegeu uma porção deles. E não é meu trabalho, não.''
Ainda bem, porque a própria cantora admite que tem conteúdo para muito mais. Querendo saber como andaria o movimento da música no Brasil, Bethânia pediu para amigos e divulgou na imprensa que estava em busca de repertório. ''Recebi muita coisa, do Brasil inteiro. Tanto que sobrou para um outro disco. Fiquei muito feliz de ver esse movimento tão vivo nos corações das pessoas'', revelou.
Só a lista de compositores de ''Tua'' já dá uma ideia do que vem pela frente: Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, Adriana Calcanhotto (com a canção que dá nome ao disco), Moacyr Luz, Aldir Blanc e Roque Ferreira, entre outros. Deste último, compositor baiano, Bethânia escolheu ao todo sete canções nos dois discos. Gravado com Jaime Alem, André Vasconcelos e Marcelo Costa, o disco conta com participações especiais de Lenine (que canta em Saudade, de Chico César e Paulinho Moska) e dos instrumentistas João Carlos Assis Brasil, Victor Biglione, Toninho Ferraguti, Hamilton de Holanda e Paulinho Trompete.
Já ''Encanteria'' traz um repertório mais interiorano - tem por exemplo ''Doce viola'', uma bela moda de viola de seu maestro Jaime Alem, ''Saudade dela'' (Roberto Mendes e Nizaldo Costa) um samba de roda em homenagem a Edith do Prato (com a participação de Gilberto Gil e Caetano Veloso) - e o instrumental mais festivo. Encantada com a Escola Portátil de Música, projeto carioca encabeçado pelo Instituto Casa do Choro, Bethânia não só lançou um disco do grupo pela sua gravadora, Quitanda, como também chamou os músicos para tocar nas gravações de ''Feita na Bahia'' (Roque Ferreira) e ''Encanteria'' (Paulo César Pinheiro).
''Eu não separo um disco do outro. Ambos chegaram a mim de maneira tão forte que eu tinha que fazer dois. Um mais elaborado amorosamente e outro mais brincando e festejando tudo isso. E louvando. Acho que o louvor faz parte, o amor devoto é imprescindível para o homem. Não quero ficar longe de nenhuma espécie, de nenhuma qualidade do amor'', confessou.
O amor, que ''faz uma outra pele, uma proteção mesmo ao redor'', na definição da própria Bethânia, também está profundamente ligado à forma como a cantora vem sentindo os agitados tempos modernos. ''A música tem pausa e eu que lido com a música preciso de silêncio. O amor hoje no mundo representa um pouco o silêncio, essa necessidade humana que todos nós temos'', refletiu.
Após o bate-papo, jornalistas e convidados puderam conferir no palco Maria Bethânia o show da Orquestra Furiosa Portátil, com direito a uma canja da cantora na canção ''Feita na Bahia''. Organizar essa festa foi a forma que Bethânia encontrou para agradecer a Estudantina por batizar o palco com seu nome. ''Fiquei muito comovida e agradeci muito timidamente na ocasião, mas queria que alguma coisa acontecesse comigo aqui'', justificou.
A turnê estreia dia 23 no Canecão, no Rio de Janeiro. Depois, segue para São Paulo, Belo Horizonte, Bahia, Recife e enfim chega a Curitiba, em um show marcado para 3 de dezembro no Teatro Guaíra. Os discos chegarão às lojas a preços entre R$ 29 e R$ 32 cada.
* a repórter viajou a convite da Biscoito Fino e Quitanda

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