Jayme Monjardim é um diretor de assinatura forte. Em "Flor do Caribe", nova novela das seis, é possível identificar facilmente ecos e referências de outras novelas dirigidas por ele, como "Pantanal", exibida no início dos anos 1990 pela extinta Manchete, ou "O Clone", sucesso da Globo de 2001.
Entre as principais cenas da nova trama, assim como em seus outros trabalhos, não faltam longas sequências evidenciando as belezas naturais de locações como Natal, capital do Rio Grande do Norte, e da caribenha Guatemala. Todas, é claro, embaladas por trilha sonora etérea. O "clima" solar e extremamente contemplativo da novela fica claro desde a enfadonha abertura. E é nesse esquema arrastado que o folhetim vai perdendo seu brilho em meio aos desencontros amorosos de Ester e Cassiano, de Grazi Massafera e Henri Castelli.
Conhecido autor de tramas praianas e "quentes", caso da agitada "Tropicaliente", de 1994, o texto de Walther Negrão é engolido pela "pegada" cinematográfica e monocórdica de Monjardim. Apostando no "mais do mesmo", o autor evita sair de sua zona de conforto ao entregar uma novela sem grandes complexidades, baseada em um triângulo amoroso com personagens totalmente maniqueístas. Sem ousadia, Negrão aborda com leveza a história de Samuel, de Juca de Oliveira, um sobrevivente do holocausto. E ainda se inspira livremente no clássico da "Sessão da Tarde" "Top Gun – Ases Indomáveis" para criar um time de pilotos de caça.
Promovida pela emissora como uma história de aventura, falta gás nas cenas mais radicais de "Flor do Caribe". Até mesmo as inúmeras sequências de ação protagonizadas por Castelli e Jean Pierre Noher soam aquém da velocidade certa.
No entanto, é visível o cuidado da direção de atores com o elenco, embora o trio principal soe irregular. O estreante em novelas Igor Rickli, intérprete de Alberto, antagonista da história, não se sai tão bem nas sequências divididas com Sérgio Mamberti. No entanto, atua em pé de igualdade com o desempenho de Grazi – sempre limitada a sorrisos e trejeitos doces – e Henri, que neste início de novela ainda não mostrou a mesma boa atuação de trabalhos recentes, como "Gabriela", e especialmente, "O Astro".
Em relação ao núcleos secundários da trama, capitaneados por José Loreto e Débora Nascimento, e que ainda contam com Juca de Oliveira, Ailton Graça, Thiago Martins e Bruno Gissoni, fica uma inevitável sensação de "déjà vu", causada pelos cinco meses que separam a estreia de "Flor do Caribe" do final de "Avenida Brasil". Apesar do inflado quadro de profissionais, a repetição de elenco é sintomática na maioria das produções globais, mas a atual novela das seis exagera. Sem grandes apostas de atuações mais consistentes, sobra para nomes experientes como Bete Mendes, Laura Cardoso e Ângela Vieira cenas de menor relevância dentro da trama. Mas com histórias que podem funcionar ao longo dos capítulos.

mockup