Quando foi chamado para integrar o elenco de ''Amor e Revolução'', do SBT, Marcos Breda sentiu que tinha certa proximidade com a temática abordada pela novela: a ditadura no Brasil. Filho de militar, Marcos era um garoto na época do Golpe de Estado de 64, mas têm nítidas lembranças daquele período. ''Meu pai era da Aeronáutica e sumiu de casa. Eu era garoto, mas sentia aquela sombra estranha pairando no ar'', conta. Além disso, ele já tevê a oportunidade de abordar o assunto em outros trabalhos, como na peça ''Bailei na Curva'', de Julio Conte, que falava sobre os efeitos do Golpe em um grupo de crianças de Porto Alegre.
Com previsão de estreia para março, o segundo trabalho do autor Tiago Santiago no SBT vai focar na luta armada, no movimento estudantil e na perda de familiares assassinados e desaparecidos. Na trama, Marcos dará vida a Carlo, um preso político. ''Ele é um personagem símbolo daquela época, que foi barbaramente torturado na prisão. Isso aconteceu com muitas pessoas depois de 64'', destaca.
A ideia inicial do diretor da novela, Reynaldo Boury, era de que Marcos ficasse com um dos papéis principais da trama. Porém, ele já estava comprometido com as filmagens de um longa-metragem. A solução para ter o ator no folhetim foi convidá-lo para fazer uma participação especial nos primeiros dez capítulos. ''Seria impossível fazer a novela inteira. Em março eu já teria de estar no 'set' de 'Os Senhores da Guerra', filme dirigido pelo Tabajara Ruas'', explica. Mesmo sendo apenas uma participação, Marcos ficou instigado com a importância do personagem na história. ''A tragédia pessoal dele desencadeia outras tantas histórias dentro da novela'', adianta.
Nos estúdios do SBT, em São Paulo, a produção da novela já trabalha em ritmo intenso. ''Ao contrário do cinema e do teatro, na televisão você vai construindo essa história aos poucos. No caso do Carlo, já li o roteiro e estou tendo algumas ideias'', revela.

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