O cantor e compositor Marcelo Nova, que foi parceiro de Raul Seixas e agitou o cenário musical brasileiro durante toda a década de 80, está de volta. Acaba de lançar ‘‘Eu vi o Futuro, Baby. Ele é Passado’’, com um apanhado de sua carreira. Até hoje foram sete discos com o Camisa de Vênus, um com Raul Seixas e três álbuns-solo.
‘‘Após 18 anos na estrada percebi que talvez fosse hora de parar para um drink dessa bebida forte mas que me mantém ativo, vivo. Uma dose do meu próprio veneno’’, dispara o poeta. O CD abre com ‘‘Século 21’’, uma parceria com Raulzito, depois vem: ‘‘Papel de Bandido’’, ‘‘Noite’’, ‘‘Só o Fim’’, ‘‘Quando Eu Morri’’, ‘‘Tudo ou Nada’’, ‘‘A Garota da Motocicleta’’, ‘‘Eu Não Matei Joana D’Arc’’, ‘‘Coração Sequestrado’’, ‘‘Chamam Isso de Rock And Roll, ‘‘Faça a Coisa Certa’’, ‘‘Estranho no Ninho’’, ‘‘Carpinteiro do Universo’’ e ‘‘A Ferro e Fogo’’. ‘‘Como são muitas músicas, fica sempre aquela sensação de estar faltando uma’’, confessa.
Neste trabalho, além de cantar, Marcelo Nova fez as guitarras. Na bateria, percussão, violões, baixo e etc, está Johnny Boy. ‘‘No CD somos apenas nós dois, mas nos shows teremos Franklin Paulino na bateria, Calazans no baixo e Johnny Boy só na guitarra’’, explica.
A turnê de lançamento do CD começa este mês no Rio Grande do Sul com shows confirmados no dia 13, em Santa Maria; e dia 14, em Ijuí. Depois a turnê segue para a Bahia e no final do mês passa por São Paulo. ‘‘Hoje, estréia na MTV, no programa ‘Ponto Zero’, o clipe da música ‘Século 21’, as gravações aconteceram num casarão enorme na Avenida Paulista’’, conta.
Antes de morrer, o melhor amigo de Raulzito era Marcelo. ‘‘Minha relação com ele era de amizade, não nos encontrávamos apenas para celebrar nossas afinidades profissionais’’, afirma. Daquele tempo há uma relíquia. ‘‘Ainda há uma música inédita incompleta, uma parceria nossa que não ficou pronta a tempo para ser incluída no ‘Panela do Diabo’. Até hoje não quis finalizá-la e nem sei se vou fazer isso’’, revela.
Irreverente como sempre,Marcelo Nova diz que não usa drogas. ‘‘Não assisto ao SBT, nem a Globo, CNT ou Record’’, brinca. Diz também que parou de votar há oito anos. ‘‘Meu voto é nulo. É a minha forma de protestar, que é um direito do cidadão mostrar que está contra tudo isso que está aí.’’ Quanto ao século 21, tema da música do videoclipe, Marcelo Nova acredita que não vai mudar nada. ‘‘O homem vai entrar no ano 2000 com o tacape na mão, puxando a mulher pelos cabelos e dizendo: mim é moderno’’, comenta.

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