São Paulo, 13 (AE) - Até agora, o show que mostra aquele que foi considerado o melhor disco nacional do ano passado só rolou em versão diet na capital. "Eu Tiro É Onda", de Marcelo D2, foi visto em duas sessões de meia-hora em São Paulo, no Sambódromo e no Galpão. Mas agora a onda é séria. O Palace abre as portas amanhã (14), às 21 horas, para o mais interessante astro do hip-hop nacional. Ele toca com alguns convidados, como os paulistanos Thaíde e DJ Hum, os vocalistas B-Negão e Jackson, o DJ Zé Gonzales, os percussionistas Mestre Bira, Valtinho AC e Mussum e o pandeirista Tuca.
São Paulo, conta D2, é o lugar onde o disco mais vendeu: 50 mil cópias (o que lhe deu direito a um disco de ouro). "É hip-hop que vem do Rio de Janeiro/ Uma batida de funk/ Um DJ no pandeiro", diz o rap de Marcelo D2, espécie de profissão de fé do músico. Marcelo D2 é também o líder do grupo Planet Hemp, banda que ficou célebre mais por causa de complicações jurídicas do que pelo som. Achando-se um pouco perseguido, no ano passado ele resolveu lançar seu disco-solo. "É um disco só de hip-hop, e eu achei que seria sacanagem impor isso para o resto da banda", diz D2.
Em novembro, ele volta aos braços dos antigos parceiros e lançam um novo disco. Duas músicas desse trabalho já estarão no show de amanhã à noite: "Ritmo de Guerra" e "Versos Mídia". O resto vem do repertório de "Eu Tiro É Onda", o que inclui "Samba de Primeira", "Baseado em Fatos Reais" e a sua nova leitura de "Mantenha o Respeito", do Planet Hemp. Desde hoje na cidade, ele apresentava uma fita demonstrativa de uma coletânea de hip-hop que está produzindo em seu estúdio no Rio. Estão presentes grupos desconhecidos nos quais D2 aposta: O Bando, Esquadrão Zona Norte e Mahal (que vem a ser filho de Luís Melodia).
D2 não demonstra a mínima preocupação com a concorrência do fim de semana (que inclui Gilberto Gil, Prodigy e outras feras). Ele fazia parte do cast do Close-Up Planet do ano passado, cancelado por causa de problemas com a estrutura do palco. "Gostei do show dos caras lá no Rio, achei porrada, mas não é algo que eu ouça em casa", confessa. Há dois meses, D2 também esteve fora de seu ambiente natural, tocando no festival Tribos Eletrônicas, no Sesc Vila Mariana. Mas os eletrônicos não são absolutamente estranhos para o músico. "Essa galera usa bastante coisa do hip-hop e eu gosto muito dessa diversidade", avalia.
O único estranhamento ocorreu dias atrás, quando D2 apareceu num programa de auditório na televisão. Alguns fãs da banda acusaram um certo constrangimento ao ver os músicos como coadjuvantes ali. "O problema é que a gente não faz playback, e são poucos programas que deixam tocar ao vivo", argumenta D2.

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