Marcelo Camelo se prepara para subir aos palcos só com violão
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sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Emanuel Bomfim <br> Agência Estado 
São Paulo - Marcelo Camelo acaba de voltar de Nova York. Foi acompanhar Mallu Magalhães em show por lá, na consagração de um projeto que se envolveu de corpo e alma como namorado, produtor e amigo. Os dois moram no Rio, ''numa vida gostosa, calma e silenciosa''.
Camelo não está com disco novo na agulha, mas muitos querem vê-lo ao vivo. Passou todo o primeiro semestre nos braços de uma multidão que queria Los Hermanos. Clima de estádio, reencontro com amigos de longa data e fãs em êxtase.
Agora, o carioca vai encarar plateias comportadas para uma série de apresentações no formato voz e violão, a começar no próximo dia 16, no Teatro Bradesco. Gosta da ideia de reproduzir a pureza de suas composições, dotadas do mesmo sentimentalismo que se vê quando ele fala da vida e da carreira.
Participar diretamente do trabalho da Mallu foi natural ou precisou de um convite?
Teve que rolar um convite... Quer dizer, a gente foi meio se aproximando nessa direção. Eu entendo a arte, e por ser artista, como uma representação de seu inconsciente mais profundo. É um espaço que deve ser muito respeitado, entende? A gente sabe disso, por isso vai conjugando com delicadeza.
Quando se apaixonou pela música da pianista Guiomar Novaes?
O primeiro vento que soprou foi no filme do João Moreira Salles sobre o Nelson Freire. Eu fico arrepiado de falar dela. É a pessoa mais importante musicalmente em minha vida. Eu não tinha uma relação com o piano solo, e fui procurar, ouvir as coisas, saber quem eram os caras mais importantes, como o Glenn Gould. Até que caí num disco da Guiomar Novaes, o último que ela gravou em vida. Cara... Ninguém nunca tocou piano daquele jeito. É a coisa mais impressionante que eu já ouvi de um instrumentista.
Ela se tornou presente em algumas de suas composições?
Sempre está presente. O meu primeiro disco, Sou, é totalmente baseado nela.
Que avaliação você faz da turnê com o Los Hermanos?
Foi muito legal. Me impressionou muito como a banda cresceu em quantidade de público desde que a gente parou. No show, via muitos barrigudinhos como nós e uma juventude cheirosa, interessada, pulando lá na frente do palco.
O rock já passou pra você?
Acho que não. O rock tem uma força de expressão que é única. A banda que me fez começar foi o Acabou La Tequila, do Kassin. Eu me lembro de uma entrevista com eles que a gente perguntou: ''Como é que vocês definem o estilo de vocês?'' E eles disseram: ''A gente mistura rock com música''. Fantástico, não é?


