Maravilhosa Copenhague
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de janeiro de 1997
Kênya Antunes Zanatta Especial para a Folha Turismo 
Era uma vez uma pequena sereia que se apaixonou por um príncipe. A história desse amor infeliz, um dos mais belos de Hans Christian Andersen, inspirou o escultor Erik Erikson a criar em 1913 o monumento mais famoso de Copenhague, capital do reino da Dinamarca. A estátua verde postada sobre uma pedra perto da costa divide opiniões entre os dinamarqueses, que sempre se referem a ela com ironia. A pequena sereia de bronze já foi até alvo de vandalismo, mas continua encantando os turistas e tornou-se um símbolo da cidade.
A Pequena Sereia é apenas uma das muitas homenagens que os dinamarqueses fazem ao seu mais ilustre conterrâneo, o escritor Hans Christian Andersen (1805-1875). Nascido em Odense, Andersen foi para Copenhague tentar carreira no teatro, mas acabou se tornando escritor. Sua obra inclui poemas, romances, peças de teatro e livros de memória, mas foram os contos de fadas que lhe valeram fama mundial. Entre 1835 e 1872 criou 168 histórias que até hoje fascinam crianças e adultos, como O Patinho Feio e Branca de Neve. Traduzidos para mais de 100 línguas, seus contos de fadas tornaram-se clássicos da literatura infantil.
Quem chega a Copenhague pela primeira vez deve começar com um passeio a pé pela Stroget, a maior rua de pedestres do mundo, que cruza o centro da cidade. Muitos artistas costumam se apresentar ao ar livre, principalmente no verão, quando o acúmulo de pessoas faz da Stroget um verdadeiro festival. Além disso, lojas de todo tipo fazem desta rua a preferida para compras. Restaurantes, bares e cafés se concentram nas proximidades.
História e arte A Stroget se inicia na Radhuspladsen (Praça da Prefeitura), dominada pelo grandioso prédio de tijolos vermelhos construído em 1905, onde funciona a prefeitura de Copenhague; e se estende até a Kongens Nytorv (A Praça do Rei), onde se encontra o Teatro Real. Daí se chega a Nyhavn, um charmoso canal com prédios históricos, que é um dos mais conhecidos cartões-postais de Copenhague. Antigo refúgio de marinheiros, foi transformado em uma área para pedestres com cafés e restaurantes. É também o ponto de partida para as excursões de barco pela rede de canais que correm pela parte velha da cidade.
A capital dinamarquesa impressiona pela extrema limpeza, organização e segurança, que denotam a excelente qualidade de vida de seus moradores. Uma das capitais mais antigas da Europa, Copenhague foi fundada em 1167, e desde 1416 é a residência oficial dos reis da Dinamarca. Abrangendo cerca de 1,3 milhão de habitantes na sua região metropolitana, a cidade concentra mais de 25% da população dinamarquesa, constituindo-se no grande centro industrial, comercial e cultural do país.
O cuidado com a preservação da memória histórica de Copenhague é notável, e transparece nas ruas, praças, edifícios e inúmeras estátuas espalhadas por toda a cidade. As construções arquitetônicas mais interessantes datam da época do rei Cristiano IV (1588-1648), destacando-se a Torre Redonda, um antigo observatório de onde se tem uma bela vista das torres de Copenhague, e o Palácio Rosenborg, onde se encontram as jóias da Coroa.
Os museus são muitos e variados, abrangendo as mais diferentes áreas de interesse. Entre tantas opções, não se pode deixar de visitar: Ny Carlsberg Glyptotek, especializado em arte antiga e arte francesa e dinamarquesa dos séculos 19 e início do século 20; Statens Museum For Kunst (Museu Real de Belas Artes), o maior do país; e o Museu Nacional, que conta a história da Dinamarca desde a Idade da Pedra até o presente. A 45 minutos de trem do centro de Copenhague fica o Museu Louisiana de Arte Moderna, com um grandioso acervo de obras de arte contemporânea e exposições especiais que atraem milhares de visitantes.
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