Maravilha de cenário
MARAVILHA DE CENÁRIO
Viagem pela ferrovia Curitiba-Paranaguá revela a beleza e a exuberância da Serra do Mar
Edmundo Inagaki
Curitiba
Marcelo AlmeidaDurante o passeio, é impossível ficar indiferente à sucessão de cartões postaisApreciar a magnífica paisagem da Serra do Mar numa viagem inesquecível pelos trilhos da centenária ferrovia Curitiba-Paranaguá é programa obrigatório para esta temporada de férias.
O passeio, que começa na Estação Rodoferroviária de Curitiba - a 896 metros acima do nível do mar, tem tantas belezas naturais que é impossível ficar indiferente à sucessão de cartões postais. As saídas acontecem de terça-feira a domingo, com duração média de três horas e meia (no trem) e duas horas e meia (Litorina). Portanto, máquina fotográfica a postos.
Nos primeiros 22 quilômetros de percurso, passando pelos municípios de Pinhais e Piraquara, na Região Metropolitana, as cenas bucólicas já dão o tom. Cerca de 20 minutos depois, já no município de Morretes, os passageiros são brindados com a primeira surpresa da viagem: o Túnel de Roça Nova - o primeiro da Serra do Mar, com 457 metros de extensão e a 995 metros acima do nível do mar.
Marcelo AlmeidaA Garganta do Diabo é uma enorme fenda aberta entre paredões escarpados
Seguindo em frente, encontramos dois outros pontos referenciais do trajeto: o Rio e a Casa Ipiranga, que a exemplo da Estação Engenheiro Lange
(leia texto na página 3)também deverá ser restaurada. Várias personalidades ilustres da história do Brasil, como o Imperador Dom Pedro 2º, o então presidente Província do Paraná, Carlos de Carvalho, e um dos maiores nomes da pintura paranaense, Alfredo Andersen, que constantemente buscava inspiração na Serra do Mar, se hospedaram na ampla residência, uma das poucas em todo o trecho da ferrovia.
Os vagões vão serpenteando pela exuberante Mata Atlântica até surgir uma das mais impressionantes visões que só a natureza poderia conceber. Brotando do verde intenso da floresta, a queda dágua Véu de Noiva, com mais 80 metros de altura, se projeta no vazio num jato branco interminável.
Já quase sem fôlego, nos deparamos com o Pico do Diabo, uma das maiores formações rochosas da Região Sul, ladeado pela assustadora Garganta do Diabo, uma enorme fenda aberta entre os paredões escarpados.
Marcelo AlmeidaA Casa Ipiranga hospedou personagens da História e celebridades
Atrações Antes que o trem faça sua primeira parada na Estação Marumbi - a 485 metros acima do nível do mar, passamos pelo Santuário de Nossa Senhora do Cadeado, monumento construído em comemoração aos 80 anos da ferrovia, a Ponte São João, com sua envolvente estrutura metálica, e o Viaduto Carvalho.
Chegando na estação, aos pés do Pico do Marumbi, alguns passageiros (alpinistas em sua maioria) saltam da composição para iniciar outra aventura: a escalada do mais famoso pico paranaense, com 1.539 metros de altura, conquistado pela primeira vez no ano de 1879.
Deixando o Marumbi para trás, rodamos mais 20 quilômetros em direção a Morretes, cidade história com 264 anos de idade, onde acontece nossa segunda parada. A boa comida, uma interessante feira de artesanato e os passeios de bóia pelo Rio Nhundiaquara são as atrações do lugar.
Até a próxima parada, na cidade de Antonina, com seus 284 anos de história, são mais 16 quilômetros. Antigos casarões coloniais, a prainha da Ponta da Pita, com seus inúmeros barzinhos, e um animadíssimo carnaval de rua fazem a fama do município.
Finalmente, 41 quilômetros adiante, está Paranaguá, ponto final dessa incrível tour. Com 349 anos, a cidade é a mais antiga do Paraná. Além do Porto Dom Pedro 2º, um dos mais movimentados do País, pode-se conhecer o Museu do Índio, a catedral diocesana e o antigo mercado de peixe.





